
Uma combinação incomum de umidade tropical e sistemas atmosféricos está aumentando o risco de chuvas intensas e inundações em uma ampla faixa do sudoeste e centro dos Estados Unidos nesta semana.
O principal ingrediente é a umidade transportada pelos remanescentes do furacão Polo, que atingiu o México nesta terça-feira, somada à umidade associada ao antigo furacão Odalys e à atuação de uma área de baixa pressão sobre o Oeste americano. O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA alerta para vários dias de chuva forte, com possibilidade de enchentes repentinas.
Polo avança pelo México em direção aos EUA
Polo atingiu a península de Baja California Sur, no México, na segunda-feira à noite como furacão de categoria 2, com ventos sustentados de até 110 mph (cerca de 177 km/h), segundo a Associated Press.
Nesta terça-feira, o sistema fez uma segunda passagem pelo território mexicano, próximo a Guaymas, no estado de Sonora, e perdeu força ao avançar sobre terra.
O Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC) previa enfraquecimento rápido de Polo sobre o terreno mexicano. Mesmo assim, sua enorme quantidade de umidade continuaria avançando para o nordeste, em direção ao sudoeste americano.
A preocupação, portanto, não está apenas na força dos ventos de Polo, mas principalmente na quantidade de vapor d'água que o sistema transporta para uma região que já recebeu chuvas significativas nos últimos dias.
Odalys já virou sistema pós-tropical
O segundo componente da configuração é Odalys.
O NHC informou no domingo que Odalys havia perdido as características necessárias para continuar sendo classificado como ciclone tropical. O sistema passou a ser tratado como pós-tropical.
Apesar disso, sua umidade permaneceu relevante para a previsão. O NHC afirmou que a umidade distante de Odalys e de Polo seria transportada para o sudoeste dos Estados Unidos e poderia contribuir indiretamente para chuvas fortes e enchentes repentinas.
Assim, a chamada “tripla ameaça” não significa que três furacões estejam simultaneamente atingindo os Estados Unidos. Trata-se da interação de diferentes fontes de umidade e de uma estrutura atmosférica favorável à formação de chuva persistente.
Risco aumenta no Arizona e no Novo México
O Weather Prediction Center, órgão do National Weather Service responsável pelas previsões de precipitação, colocou grandes áreas do sudoeste e das High Plains sob risco moderado de chuva excessiva.
Para esta terça-feira, a previsão inclui partes do Arizona, Novo México, Colorado, Texas, Kansas e Oklahoma.
O órgão estima acumulados de aproximadamente 2 a 4 polegadas de chuva, com volumes localmente maiores em algumas áreas.
Em uma atualização publicada nesta terça-feira à tarde, o Weather Prediction Center alertou para a possibilidade de volumes de 3 a 4 polegadas ou mais em determinadas áreas do Arizona, Novo México e oeste do Texas.
O risco é maior em áreas que já estão úmidas, em regiões de queimadas anteriores e em áreas urbanas ou de drenagem deficiente.
Chuva pode cair rapidamente
Um dos principais perigos é a velocidade com que a chuva pode se acumular.
O Weather Prediction Center informou que algumas áreas poderiam registrar taxas de precipitação de 1 a 2 polegadas por hora ou mais durante os períodos mais intensos.
Esse tipo de chuva pode provocar rápida elevação de rios e córregos, além de transformar estradas e áreas urbanas em pontos de alagamento.
Arroyos, cânions, áreas afetadas por incêndios anteriores e regiões montanhosas são especialmente vulneráveis às enchentes repentinas.
Solo já está mais vulnerável
A situação é agravada pelo fato de algumas áreas terem recebido chuva recentemente.
O Serviço Nacional de Meteorologia destacou que condições de solo já úmidas, combinadas com a nova entrada de umidade tropical, podem reduzir a capacidade de absorção da água.
No Novo México, autoridades meteorológicas emitiram alertas para condições potencialmente perigosas, enquanto algumas áreas já registravam alagamentos e interrupções no trânsito.
A região também possui áreas marcadas por incêndios anteriores, onde a vegetação reduzida pode aumentar o escoamento superficial e favorecer enxurradas.
A ameaça se desloca para o centro dos EUA
O risco não ficará concentrado no sudoeste.
Segundo o Weather Prediction Center, a ameaça de chuva excessiva deve avançar para partes das Planícies do Sul e do centro dos Estados Unidos ao longo dos próximos dias.
Na quarta-feira, áreas do Texas, Oklahoma, Colorado, Kansas e estados vizinhos estarão entre as regiões monitoradas para chuvas intensas.
Para quinta-feira, o órgão mantém uma área de risco moderado em partes das Planícies do Sul, incluindo regiões do Texas e Oklahoma.
A previsão indica ainda que o padrão de chuva poderá persistir por vários dias, aumentando a preocupação com enchentes em locais onde diferentes episódios de chuva ocorram sobre as mesmas áreas.
Texas reforça preparação
O Texas também se prepara para a possibilidade de chuvas fortes e enchentes.
O governador Greg Abbott ativou recursos adicionais de resposta a emergências diante da previsão de chuvas intensas no estado. Segundo autoridades estaduais, equipes e equipamentos foram mobilizados para auxiliar comunidades que eventualmente sejam atingidas por inundações.
As autoridades reforçam uma orientação conhecida, mas especialmente importante durante episódios de chuva intensa: motoristas devem evitar atravessar áreas alagadas, mesmo quando a profundidade da água parece pequena.
Uma ameaça causada pela combinação de sistemas
A situação desta semana ilustra como uma tempestade tropical pode continuar influenciando o tempo mesmo depois de perder suas características de furacão.
No caso de Polo, o sistema deverá enfraquecer rapidamente depois de avançar sobre o México. Entretanto, sua umidade permanecerá disponível na atmosfera e será incorporada a outros sistemas meteorológicos.
O NWS descreve justamente essa combinação como um evento de vários dias, com potencial para chuva excessiva e enchentes em diferentes partes do país.
Por isso, embora manchetes possam descrever o fenômeno como uma “colisão” de furacões, o cenário meteorológico é mais precisamente uma convergência de umidade tropical e sistemas atmosféricos.
O risco deve continuar sendo monitorado ao longo da semana, especialmente no sudoeste e nas Planícies do Sul, onde novas rodadas de chuva podem ocorrer sobre áreas que já receberam precipitação significativa.
Reuters






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