Os novos dados de educação divulgados pelo IBGE expuseram uma fratura profunda no desenvolvimento socioeducacional do Nordeste. O levantamento da PNAD Contínua Educação 2025 revelou que a Bahia ostenta a incômoda marca de ser a única unidade federativa do Brasil a romper a barreira de um milhão de analfabetos absolutos. O total de 1,145 milhão de baianos nessa condição coloca o estado no centro de uma tempestade política.
A gravidade do quadro gerou forte engajamento em redes sociais. Em vídeos com grande circulação em plataformas como o Instagram, analistas de oposição expõem os recordes negativos da educação baiana. A narrativa que ganha força entre os críticos locais aponta que o número não decorre de falhas operacionais pontuais, mas sim de um suposto “projeto deliberado de governo” para perpetuar currais eleitorais por meio da desinformação, tendo em vista que o mesmo grupo político comanda o Palácio de Ondina desde o início de 2007.
TAXA DE ANALFABETISMO (PNAD 2025)
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Brasil: ████ 4.9%
Bahia: █████████ 9.5%
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* A taxa da Bahia é quase o dobro da média nacional.
O Abismo dos Números
Embora tenha ocorrido uma oscilação marginal positiva na comparação com o ano anterior — quando o estado registrava 1,174 milhão de analfabetos (uma redução de apenas 29 mil pessoas) —, a velocidade de queda na Bahia é considerada letárgica frente aos avanços do restante do país.
Atrás da Bahia no ranking absoluto surgem o Ceará (823 mil) e Pernambuco (763 mil). Contudo, a taxa de 9,5% do território baiano permanece escandalosa se confrontada com os índices das regiões Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%).
Retrato Falado: Idosos e Desigualdade de Gênero
A desagregação das estatísticas aponta onde o gargalo da alfabetização é mais crônico:
- Concentração na Terceira Idade: Do total de afetados na Bahia, 718 mil pessoas têm 60 anos ou mais. Isto significa que 62,7% de todo o analfabetismo estadual está concentrado em idosos.
- Taxa Crítica: Dentro do recorte específico da população idosa baiana, o índice de analfabetismo dispara para 28,5%. Na prática, quase um em cada três idosos do estado não sabe ler nem escrever um bilhete simples. O indicador representa mais do que o dobro do registrado na média nacional para essa faixa etária (13,8%).
- Gênero: Diferente de outras distorções históricas, o contingente está distribuído de forma equilibrada entre os sexos: são 588 mil homens (51,4%) e 556 mil mulheres (48,6%) desprovidos da instrução básica.
Cobrança Política e Herança de Longo Prazo
O persistente atraso educacional coloca sob forte desgaste a sequência de gestões do Partido dos Trabalhadores, que engloba os mandatos de Jaques Wagner, Rui Costa e o atual governador Jerônimo Rodrigues, este último, ironicamente, ex-secretário da Educação do Estado.
Especialistas e opositores argumentam que programas estaduais de alfabetização de jovens e adultos (EJA) não receberam o volume de investimentos nem a prioridade macroeconômica necessários ao longo das últimas duas décadas. Enquanto o Brasil comemora a entrada no patamar abaixo de 5% de analfabetismo — meta referendada por agências internacionais como a UNESCO —, a Bahia segue acorrentada a índices que remetem a décadas passadas, transformando as salas de aula em um dos principais campos de batalha para os próximos ciclos eleitorais.
