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Confiança dos americanos na economia cai ao menor nível desde 2014

A confiança dos americanos na economia caiu em setembro para o menor nível desde abril de 2014, segundo o índice de confiança do consumidor divulgado nesta terça-feira, 29 de…

Por Redação29/09/2026 21:38◉ 45 visualizações
Confiança dos americanos na economia cai ao menor nível desde 2014

A confiança dos americanos na economia caiu em setembro para o menor nível desde abril de 2014, segundo o índice de confiança do consumidor divulgado nesta terça-feira, 29 de setembro, pelo Conference Board. O indicador recuou 6,7 pontos, passando de 88,6 em agosto para 81,9 neste mês.

O resultado reflete uma combinação de fatores que vêm pressionando o orçamento das famílias, entre eles preços elevados, aumento dos custos de energia, juros mais altos e preocupação com as condições do mercado de trabalho.

Inflação continua pressionando os consumidores

Os dados oficiais mais recentes do Bureau of Labor Statistics mostram que o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto, após avanço de 0,1% em julho. Na comparação com agosto de 2025, a inflação acumulada ficou em 3,4%.

A gasolina teve papel importante nesse resultado. O preço do combustível aumentou 3,9% em agosto e respondeu por mais de um terço do avanço mensal do índice geral de preços. O custo de moradia também continuou subindo, com alta de 3% em 12 meses.

A percepção dos consumidores acompanha essa pressão. Segundo a pesquisa do Conference Board, respostas registradas entre 1º e 23 de setembro fizeram referências frequentes ao preço da gasolina, dos produtos e dos serviços.

Poder de compra dos salários também preocupa

Embora os salários nominais continuem crescendo, os números ajustados pela inflação mostram uma situação mais fraca.

O BLS informou que o ganho médio por hora aumentou 3,1% entre agosto de 2025 e agosto de 2026. No entanto, quando descontada a inflação, o salário médio real por hora caiu 0,3% no mesmo período.

Essa diferença ajuda a explicar por que parte dos consumidores pode perceber pouca melhora no poder de compra mesmo quando o salário nominal aumenta.

Os rendimentos médios semanais reais, por outro lado, tiveram alta de 0,3% em 12 meses, influenciados também pelo aumento da jornada média de trabalho.

Mercado de trabalho mostra sinais diferentes

Os dados de emprego de agosto apresentam um quadro menos uniforme.

O país criou 162 mil empregos não agrícolas em agosto, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, segundo o BLS. O resultado representou uma aceleração em relação ao ganho de apenas 21 mil empregos registrado em julho.

Ao mesmo tempo, outro indicador divulgado pelo Departamento do Trabalho nesta terça-feira mostrou que o número de vagas abertas caiu em 256 mil em agosto, para 7,079 milhões. A relação entre vagas disponíveis e pessoas desempregadas também diminuiu, de 1,06 para 1,01.

Na pesquisa de confiança, a avaliação dos consumidores sobre o mercado de trabalho também piorou. A parcela que considera os empregos “abundantes” caiu para 23,6%, enquanto a proporção dos que dizem que os empregos são “difíceis de conseguir” subiu para 21,9%.

Juros mais altos aumentam o custo do crédito

A inflação elevada também influencia a política monetária.

Em 16 de setembro, o Federal Reserve elevou a faixa-alvo dos juros federais em 0,25 ponto percentual, para entre 3,75% e 4%. O banco central afirmou que a inflação continua elevada e que a atividade econômica segue em expansão, embora a incerteza permaneça alta.

Juros mais elevados podem aumentar o custo de financiamentos e empréstimos, incluindo crédito imobiliário, automóveis e cartões de crédito. A Reuters informou que a taxa média de uma hipoteca fixa de 30 anos chegou a 7,03% na semana passada, segundo dados da Freddie Mac.

Confiança atual e expectativas futuras pioram

A deterioração não ficou restrita à percepção sobre a situação atual.

O componente do índice que mede a avaliação dos consumidores sobre as condições presentes caiu 7,9 pontos, para 109,3. Já o indicador relacionado às expectativas para os próximos meses recuou 5,9 pontos, para 63,6.

A queda das expectativas é particularmente relevante porque a confiança do consumidor pode influenciar decisões de compra, especialmente de bens e serviços de maior valor.

Ainda assim, confiança e atividade econômica não são exatamente a mesma coisa. Os dados disponíveis mostram que o mercado de trabalho continuou criando empregos em agosto, enquanto a inflação permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve. Portanto, a queda da confiança representa principalmente uma piora na percepção e nas expectativas dos consumidores, e não, por si só, uma medida de recessão.

O que explica a piora?

A pesquisa do Conference Board aponta para uma combinação de preocupações. Entre as respostas dos participantes apareceram com frequência os preços de gasolina, bens e serviços. A Reuters também destacou preocupações com o mercado de trabalho, custos de moradia e juros.

O cenário internacional também entrou no quadro econômico. A guerra envolvendo Israel e Irã provocou pressão adicional sobre os preços de energia e aumentou a incerteza econômica, segundo a cobertura da AP e da Reuters.

O resultado de setembro coloca a confiança do consumidor em um nível observado pela última vez em abril de 2014. O índice também ficou abaixo do menor nível registrado durante a pandemia de Covid-19, segundo a Associated Press.

Os próximos indicadores serão importantes para avaliar se essa deterioração da confiança será acompanhada por mudanças mais significativas no consumo, no emprego e na atividade econômica.

O governo americano deve divulgar o relatório de emprego de setembro em 2 de outubro, enquanto os dados de inflação ao consumidor referentes a setembro estão programados para 14 de outubro.

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