Adolescente é executado na Coreia do Norte por assistir “Squid Game” e ouvir K-pop, alerta Anistia

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Autoridades da Coreia do Norte teriam executado adolescentes por ouvirem K-pop e assistirem à série sul-coreana “Squid Game”, segundo relatos de pesquisadores de direitos humanos divulgados no início de fevereiro. A denúncia, apoiada por informações da Anistia Internacional, aponta que crianças em idade escolar foram alvo de punições letais, enquanto famílias mais ricas ou com conexões políticas recebiam apenas advertências.

O sobrevivente Kim Joonsik, 28 anos, que deixou o país em 2019, afirmou que pessoas próximas a ele, incluindo estudantes, foram executadas por consumirem mídias estrangeiras. “Normalmente, quando estudantes do ensino médio são pegos, se a família deles tem dinheiro, eles só recebem advertências”, disse. Três amigas de suas irmãs, sem recursos financeiros, receberam sentenças de vários anos em campos de trabalho forçado ao serem flagradas assistindo a dramas sul-coreanos.

Além das execuções, o estudo documentou relatos de humilhação pública e trabalho forçado para aqueles que consumiam conteúdo estrangeiro sem poder pagar subornos. Segundo a diretora regional adjunta da Anistia Internacional, Sarah Brooks, “as autoridades criminalizam o acesso à informação e depois permitem que funcionários lucrem com aqueles que temem punição. Trata-se de repressão disfarçada de corrupção, afetando principalmente os sem recursos ou conexões.”

Vários desertores relataram que eram obrigados a presenciar execuções públicas ainda na escola, prática descrita como forma de doutrinação estatal, destinada a impedir a exposição à cultura estrangeira. Kim Eunju, 40 anos, relatou: “Quando tínhamos 16, 17 anos, no ensino fundamental, nos levaram para assistir a execuções e nos mostraram tudo. Pessoas eram executadas por assistir ou distribuir conteúdo da mídia sul-coreana. É uma educação ideológica: se você assistir, isso acontece com você também.”

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Os relatos expõem a gravidade da repressão cultural e da violação de direitos humanos na Coreia do Norte, onde programas sociais, execuções públicas e trabalho forçado são utilizados como instrumentos de controle social, especialmente sobre jovens e famílias sem recursos.

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