O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, apresentou uma proposta de delação premiada que sacudiu os bastidores do Judiciário nesta quarta-feira (6). Em seu depoimento à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro revelou a existência de um contrato de R$ 129 milhões firmado com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Objetivo: Proximidade com o STF
De acordo com o depoimento do ex-banqueiro, os pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões visavam garantir uma “proximidade” com o ministro. Embora Vorcaro sustente que não houve troca direta de favores, a intenção de comprar acesso ao magistrado foi admitida na proposta de colaboração. O contrato, que vigorou entre 2024 e 2025, foi interrompido apenas após a liquidação do Banco Master e a subsequente prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero.
Além disso, o advogado André Marsiglia argumenta que o volume exorbitante dos pagamentos pode configurar crimes graves. Para o especialista, o intuito de adquirir influência e proximidade via escritório de parentes pode caracterizar corrupção passiva ou tráfico de influência, independentemente do sucesso da empreitada.
Análise e repercussão jurídica
Atualmente, a proposta de delação está sob análise rigorosa da PF e da PGR, que devem decidir se os elementos trazidos são suficientes para a homologação. No entanto, o escritório de Viviane Barci defende a legitimidade dos serviços, alegando que foram produzidos dezenas de pareceres e centenas de horas de trabalho técnico. O desfecho deste caso é aguardado com cautela, pois pode redefinir os limites da influência judicial em grandes processos financeiros.
