O conceito-chave desta semana nas relações internacionais é o de interesses nacionais, tradicionalmente divididos em três categorias: segurança, econômicos e ideológicos. Esses interesses ajudam a explicar o comportamento dos Estados no sistema internacional e oferecem uma lente essencial para compreender conflitos e alianças contemporâneas.
No artigo “Tensões entre EUA e Irã: O que ambos os lados desejam?”, publicado pela Al Jazeera, o jornalista Ali Hashem analisa a perspectiva iraniana e destaca que os atores estatais do Irã veem o programa de mísseis balísticos como sua principal — e talvez única — forma de defesa. Segundo ele, esse programa funciona como um escudo contra ameaças regionais, especialmente provenientes de Israel.
Dessa forma, o desenvolvimento de mísseis balísticos representa um interesse de segurança central para o Irã, servindo como pré-requisito para a consecução de seus demais objetivos. Sem garantias mínimas de segurança, os interesses econômicos e ideológicos do país tornam-se inviáveis.
No campo econômico, o principal objetivo iraniano é o levantamento das sanções impostas pelos Estados Unidos desde 1979, bem como das sanções secundárias aplicadas por meio do poder econômico americano. Essas sanções não são apenas um fim em si mesmas, mas um instrumento utilizado por Washington para limitar a influência iraniana. Além disso, o Irã busca manter seu programa nuclear, que, segundo o governo, possui caráter civil e visa atender às crescentes demandas energéticas do país.
Já os interesses ideológicos do Irã estão ligados ao antiamericanismo, ao antissionismo e à exportação da Revolução Islâmica. Esses elementos convergem no que o regime chama de “eixo da resistência”, uma rede de atores e movimentos que se opõem à influência dos Estados Unidos e de seus aliados no Oriente Médio.
Outro conceito fundamental abordado no Capítulo 1 é o de soberania, definida como a expectativa de que os Estados detenham supremacia legal e política dentro de suas fronteiras. No entanto, a soberania pode ser limitada ou parcialmente sacrificada quando os Estados decidem cooperar em instituições supranacionais em prol de interesses maiores.
A OTAN é um exemplo clássico de supranacionalismo, criada para contrabalancear a influência soviética durante a Guerra Fria. No entanto, essa lógica tem sido questionada. O artigo da revista Time, intitulado “Trump se recusa a descartar a possibilidade de deixar a OTAN devido à disputa pela Groenlândia”, ilustra bem essa tensão entre soberania e cooperação internacional.
Segundo a reportagem, Donald Trump considera a aliança militar excessivamente onerosa para os Estados Unidos e não descarta a possibilidade de abandonar o compromisso supranacional em favor da soberania americana. Ele argumenta que os demais membros da OTAN se beneficiam do poder militar dos EUA, enquanto investem apenas cerca de 1,5% do PIB em defesa, em contraste com os 3,39% gastos pelos americanos.
Além disso, Trump defendeu que a possível aquisição da Groenlândia seria uma “questão de segurança nacional”, afirmando que esse interesse estratégico poderia justificar uma eventual retirada da OTAN como medida necessária para proteger os interesses dos Estados Unidos.
Esses exemplos demonstram como interesses de segurança, econômicos e ideológicos, aliados ao debate entre soberania e supranacionalismo, continuam a moldar profundamente a política internacional contemporânea.
