
Em agenda eleitoral na capital paraense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou abertamente a resistência histórica dos homens em realizar o exame de toque retal para a prevenção e detecção precoce do câncer de próstata. Durante um comício realizado na Praça da República, o mandatário utilizou termos fortes para classificar a omissão masculina diante do cuidado com a saúde e traçou um paralelo com o comportamento preventivo das mulheres.
A declaração ocorreu após o chefe do Executivo e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitarem as instalações do Hospital São João de Deus, que integra o complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará. No local, a comitiva acompanhou a primeira cirurgia robótica oncológica de próstata financiada integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Norte.
Discurso contundente e comparações de gênero
Ao subir ao palanque, o presidente conectou o avanço tecnológico visto na unidade hospitalar ao comportamento da população masculina frente ao diagnóstico preventivo. Em sua fala, Lula afirmou que "o homem é covarde" e "cheio de trejeito" para lidar com o toque retal, afirmando que as mulheres passam por avaliações clínicas íntimas desde a juventude.
"Por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele", declarou o presidente.
Para reforçar o argumento sobre a gravidade da negligência na oncologia, Lula relembrou o histórico familiar ao citar a morte de sua mãe, Dona Lindu, na década de 1980, em decorrência de um câncer uterino. O petista apontou o contraste entre a escassez de recursos médicos do passado e o acesso atual a tecnologias de ponta na rede pública.
Marco cirúrgico na região amazônica
O procedimento assistido por robô, liderado pelo urologista paraense Luiz Otávio Rodrigues Ribeiro, foi classificado pelo governo como um marco de descentralização da medicina de alta complexidade. O Hospital São João de Deus, que opera sob o modelo de parceria público-privada, incorporou a tecnologia robótica para reduzir o tempo de internação e minimizar sequelas comuns em cirurgias convencionais.
Segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde, a precisão milimétrica dos braços robóticos diminui drasticamente as chances de efeitos colaterais pós-operatórios severos, como a incontinência urinária e a impotência sexual. Lula celebrou o feito, afirmando que garantir equipamentos desse porte à população usuária do SUS na Amazônia é "como se fosse um milagre".
Repercussão imediata nas redes
A abordagem informal e o uso da expressão "tomar toque" geraram engajamento e polarização imediatos nos ambientes digitais. De um lado, setores da oposição parlamentar e críticos criticaram a escolha do vocabulário presidencial, considerando as analogias inadequadas para tratar de exames na infância ou de políticas públicas institucionais.
Por outro lado, profissionais de saúde e apoiadores defenderam o tom direto adotado no comício. O argumento de militantes do setor de saúde é que a quebra de tabus por meio de uma linguagem popular pode ajudar a desmistificar o exame de toque, cuja rejeição cultural ainda afasta milhares de brasileiros das consultas urológicas anuais.






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