O Irã vive, desde 28 de dezembro de 2025, a maior onda de protestos antigovernamentais desde as manifestações de 2022 após a morte de Mahsa Amini. O que começou como revolta contra inflação acima de 50%, colapso do rial e crise econômica rapidamente se transformou em um movimento nacional pela queda do regime islâmico.As manifestações já atingiram mais de 100 a 180 cidades em todas as 31 províncias do país, com relatos de confrontos violentos, incêndios em prédios públicos e uso de munição real pelas forças de segurança.Origem Econômica da RevoltaA faísca inicial veio da desvalorização recorde do rial, que chegou a cerca de 1,4 milhão por dólar em dezembro de 2025, agravada por:
- Inflação anual média de 42,2% (dados oficiais do Statistical Center of Iran – SCI)
- Inflação ponto a ponto (comparação interanual) ultrapassando 52,6% no final de dezembro
- Aumento de preços de alimentos na casa dos 70% em alguns períodos recentes
Comerciantes do Grande Bazar de Teerã, tradicionalmente base de apoio ao regime, lideraram os primeiros atos. Greves e fechamento de lojas se espalharam rapidamente, paralisando setores importantes da economia.Escalada para Demandas PolíticasOs slogans evoluíram em poucos dias. Dos gritos contra a inflação e a pobreza, passou-se para:
- “Morte ao ditador” (referência direta ao Aiatolá Ali Khamenei)
- “Esta é a última batalha – Pahlavi voltará”
- “Morte à República Islâmica”
O ex-príncipe herdeiro Reza Pahlavi, vivendo no exílio, ganhou protagonismo ao convocar atos coordenados às 20h (horário local) nos dias 8 e 9 de janeiro de 2026. Milhares responderam nas ruas de Teerã e outras capitais, muitos exibindo a bandeira histórica do Leão e Sol – símbolo da era Pahlavi.Repressão Violenta e Números da CriseOrganizações de direitos humanos, como Amnesty International e Human Rights Watch, documentaram:
- Pelo menos 28 mortes confirmadas entre 31 de dezembro de 2025 e 3 de janeiro de 2026 (incluindo crianças e adolescentes)
- Relatos de mais de 2.300 prisões até o dia 10 de janeiro
- Uso de gás lacrimogêneo, espingardas com munição de chumbo e fuzis contra manifestantes
- Ataques a hospitais onde feridos eram tratados (caso registrado em Ilam)
O governo respondeu com apagão quase total de internet (conectividade caindo para 1% do normal em várias regiões) e ameaças de “mão firme”. A Guarda Revolucionária declarou a segurança como “linha vermelha” inegociável.Reações Internacionais
- Donald Trump (presidente dos EUA) afirmou que “o Irã está olhando para a liberdade” e que os Estados Unidos “estão prontos para ajudar”, renovando ameaças de intervenção militar.
- Líderes europeus (França, Alemanha, Reino Unido) e a União Europeia pediram moderação e respeito aos direitos humanos.
- Israel acompanha com atenção, enquanto o regime acusa “terroristas americanos e sionistas” de orquestrar o movimento.
O Que Pode Acontecer Agora?Analistas consideram esta a maior ameaça ao regime desde 1979. Diferente de 2022 (foco em direitos das mulheres), os protestos atuais unem comerciantes, trabalhadores, estudantes e jovens da Geração Z em torno da derrubada total do sistema teocrático.A pergunta que ecoa nas ruas e nas redes (quando há conexão) é clara: será este o começo do fim da República Islâmica?
