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Rússia amplia controle sobre empresas europeias e aumenta tensão econômica com a Europa

Moscou coloca ativos de Nestlé, Metro e Auchan sob administração temporária e sinaliza endurecimento contra empresas ligadas a países europeus em meio às sanções e à guerra na…

Por Ebenezer Saint29/09/2026 17:00◉ 81 visualizações
Rússia amplia controle sobre empresas europeias e aumenta tensão econômica com a Europa

Moscou coloca ativos de Nestlé, Metro e Auchan sob administração temporária e sinaliza endurecimento contra empresas ligadas a países europeus em meio às sanções e à guerra na Ucrânia.

A Rússia ampliou a pressão sobre empresas europeias que ainda mantêm operações no país, colocando ativos ligados à Nestlé, à rede alemã Metro AG e à varejista francesa Auchan sob administração temporária.

As decisões fazem parte de uma política adotada por Moscou para aumentar o controle sobre ativos estrangeiros em território russo em meio à deterioração das relações com a Europa desde o início da guerra na Ucrânia.

Segundo a Reuters, uma fonte de alto escalão do governo russo, que falou sob condição de anonimato, descreveu as medidas como uma resposta “assimétrica” às sanções impostas contra Moscou.

Nestlé, Auchan e Metro atingidas

Em 17 de setembro, o presidente Vladimir Putin determinou que ativos russos da suíça Nestlé e da francesa Auchan fossem colocados sob administração temporária da empresa russa L.E.V. Management.

O mecanismo não representa, por si só, uma transferência formal da propriedade. Na prática, porém, os proprietários estrangeiros perdem o controle administrativo dos negócios atingidos enquanto a medida permanecer em vigor. Processos semelhantes envolvendo outras companhias ocidentais acabaram anteriormente em vendas ou transferências para compradores russos.

Nesta semana, a pressão avançou sobre a alemã Metro AG. Um decreto presidencial publicado em 28 de setembro colocou os ativos russos da companhia sob administração temporária da UK Torg RUS.

A Metro confirmou que continua formalmente proprietária da operação, mas informou que deixou de exercer seu controle operacional. A companhia emprega aproximadamente 9 mil pessoas na Rússia.

Kremlin relaciona medidas ao confronto com a Europa

O Kremlin relacionou as decisões ao que considera crescente participação de países europeus no conflito da Ucrânia.

O porta-voz Dmitry Peskov afirmou nesta terça-feira que as medidas podem ser revertidas, mas disse que Moscou atualmente não identifica condições para isso. O governo russo cita, entre outros pontos, o fornecimento europeu de armas e apoio de inteligência à Ucrânia.

A União Europeia rejeita a narrativa de Moscou e responsabiliza a Rússia pela continuidade da guerra, argumentando que o Kremlin não demonstra disposição suficiente para negociações genuínas de paz. O bloco mantém uma ampla estrutura de sanções econômicas contra o país.

Outro elemento central da disputa são aproximadamente €210 bilhões em ativos soberanos russos congelados pela União Europeia desde o início da guerra. Moscou critica o bloqueio e também acusa governos ocidentais de atingirem propriedades de empresas russas.

Pressão sobre empresas estrangeiras aumenta

As recentes intervenções não são casos isolados.

Segundo dados da agência estatal russa TASS citados pela Reuters, desde o início da guerra a Rússia colocou sob administração temporária 135 empresas vinculadas a grupos estrangeiros, a grande maioria ligada a países da União Europeia.

Danone e Carlsberg estão entre os casos anteriores de grandes empresas europeias atingidas pelo mecanismo.

O ambiente também começa a provocar preocupação dentro do próprio setor empresarial russo. Na semana passada, Andrei Kostin, presidente do banco estatal VTB, afirmou que as tomadas de ativos pelo Estado estão aumentando a insegurança entre empresários e prejudicando decisões de investimento.

De acordo com estimativa do escritório russo Nektorov, Saveliev & Partners citada pela Reuters, autoridades russas assumiram desde 2022 ativos avaliados em aproximadamente 7,6 trilhões de rublos — cerca de US$ 89,5 bilhões — por diferentes justificativas, incluindo segurança nacional e corrupção. Esse número inclui um universo mais amplo de apreensões e não apenas empresas estrangeiras.

Disputa econômica ganha novo capítulo

A intervenção sobre Nestlé, Auchan e Metro mostra que o confronto entre Rússia e Europa ultrapassa cada vez mais as sanções financeiras e comerciais e alcança diretamente a administração de empresas privadas.

Para companhias europeias que permaneceram no mercado russo após 2022, o cenário se tornou ainda mais imprevisível. Mesmo quando a propriedade formal permanece intacta, a possibilidade de perder o controle operacional transforma os ativos mantidos no país em um risco empresarial consideravelmente maior.

Ao mesmo tempo, Moscou apresenta as intervenções como instrumentos de resposta às ações econômicas e ao apoio militar europeu à Ucrânia.

O resultado é uma nova frente no confronto entre Rússia e Europa: além do campo militar e diplomático, empresas e investimentos privados estão cada vez mais expostos às consequências da disputa geopolítica.

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