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Ebenezer Saint

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Saul, o feiticeiro

Na coluna anterior escrevi sobre o poder da obediência. E hoje eu quero relatar mais uma vez sobre um dos personagens mais enigmáticos da Bíblia: o primeiro rei de Israel, Saul.A…

Por Ebenezer Saint07/10/2026 09:47◉ 6 visualizações
Saul, o feiticeiro

Na coluna anterior escrevi sobre o poder da obediência. E hoje eu quero relatar mais uma vez sobre um dos personagens mais enigmáticos da Bíblia: o primeiro rei de Israel, Saul.

A história de Saul, apesar de ele ter sido chamado de vilão e ser conhecido por muitos como um vilão, é uma das histórias mais belas sobre como Deus escolhe um homem. Alguém de uma família simples, que não tinha nenhuma probabilidade de ser alguém de destaque, e, de repente, se torna rei de Israel.

Saul tinha todas as características físicas que um rei precisava ter. A Bíblia diz que ele era um jovem de bela aparência e que, entre os filhos de Israel, não havia outro mais belo do que ele; dos ombros para cima, sobressaía a todo o povo (1 Samuel 9:2).

Mas ele não tinha o melhor: o fator da obediência.

Ele recebeu o Espírito de Deus. A Bíblia diz: “O Espírito do Senhor se apoderará de ti, e profetizarás com eles e serás transformado em outro homem” (1 Samuel 10:6).

Mais tarde, depois de sua desobediência e rejeição, a Bíblia registra algo muito forte: “Tendo-se retirado de Saul o Espírito do Senhor, da parte deste um espírito maligno o atormentava” (1 Samuel 16:14).

A desobediência na vida de Saul é um exemplo claro de como a bênção pode se diluir e se transformar em maldição.

Uma das passagens mais profundas para contextualizar o que estamos falando é quando Samuel chega para Saul e o confronta por não ter cumprido aquilo que Deus havia ordenado.

Saul procurou uma justificativa. Disse que havia poupado o melhor das ovelhas e dos bois para oferecer sacrifícios ao Senhor. Mas a grande questão ali não era o sacrifício. Era ele não ter cumprido exatamente aquilo que Deus havia falado.

Deus sabia as razões.

Obviamente, se nós formos olhar aquela ordem dentro do contexto moral atual, poderá não fazer sentido. Poderíamos até pensar que Saul fez o certo ao poupar pessoas e animais. Mas a questão do texto bíblico é outra: ele havia recebido uma ordem e deveria seguir exatamente aquela ordem.

E então Samuel diz algo muito forte:

“Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.”

1 Samuel 15:22–23

E aqui nós pensamos: mas por que Samuel comparou a rebelião de Saul à feitiçaria?

A feitiçaria está ligada à busca de direção, conhecimento ou poder por meios que estão fora da vontade de Deus. É procurar respostas e direção espiritual em outras fontes, em vez de buscar em Deus.

E foi exatamente isso que aconteceu espiritualmente com Saul.

Ele conhecia a direção de Deus. Ele sabia o que Deus havia falado. Mas decidiu seguir outro caminho.

A rebelião acontece justamente aí: Deus mostra um caminho, mas o homem escolhe outro. Deus dá uma direção, mas o homem resolve estabelecer a sua própria direção.

E isso é tão significativo na história de Saul que, mais tarde, ele realmente foi procurar uma feiticeira para buscar direção.

Quando Saul já não recebia resposta do Senhor, a Bíblia diz:

“Consultou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. Então disse Saul aos seus servos: Buscai-me uma mulher que seja médium, para que eu vá a ela e a consulte. Seus servos lhe disseram: Há uma mulher em En-Dor que é médium.”
1 Samuel 28:6–7

Veja que impressionante.

Aquilo que Samuel havia comparado à feitiçaria em 1 Samuel 15, anos depois aparece literalmente na vida de Saul. Primeiro ele rejeitou a direção de Deus para seguir a sua própria vontade. Depois, quando queria uma direção e Deus não lhe respondia, procurou uma médium em En-Dor.

Obedecer, como Samuel falou, é melhor do que sacrificar.

Não adianta você estar sacrificando, achando que está fazendo o certo, mesmo que aparentemente seja o certo, se você está fazendo algo diferente daquilo que Deus determinou.

Quando nós olhamos para Naamã, por exemplo, não era o rio Jordão que possuía alguma substância milagrosa. Não era a água que tinha um poder especial. Era o fato de ele obedecer à ordem recebida e mergulhar sete vezes.

“Então, desceu e mergulhou no Jordão sete vezes, consoante a palavra do homem de Deus; e a sua carne se tornou como a carne de uma criança, e ficou limpo.”
2 Reis 5:14

Obediência é fundamental.

Quando o homem não obedece, automaticamente está se rebelando. E a sua rebelião é comparada à feitiçaria porque aquele que se rebela conhece a direção de Deus, mas decide buscar outro caminho.

O feiticeiro busca direção fora de Deus. O rebelde conhece a direção de Deus, mas a rejeita para seguir a sua própria direção.

E talvez aí esteja uma das maiores tragédias da vida de Saul.

Ele começou ouvindo a voz de Deus e terminou procurando uma feiticeira para ouvir uma voz que lhe desse direção.

Por isso Saul, no seu comportamento, acabou se assemelhando àquilo que Samuel havia advertido: “a rebelião é como o pecado de feitiçaria.”

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