O comitê do Senado dos Estados Unidos marcou uma votação para a próxima semana para decidir se acusa o Dr. Anthony Fauci de desacato ao Congresso. A medida foi anunciada pelo senador republicano Rand Paul, presidente da Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais, após o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) recusar-se a responder a dezenas de perguntas em uma tensa audiência realizada na quarta-feira (29 de julho de 2026). Sob orientação de seus advogados, o médico invocou a Quinta Emenda da Constituição americana cerca de 100 vezes para evitar a autoincriminação.
O confronto sobre as origens da Covid-19 e o indulto presidencial
A audiência foi convocada com o objetivo de investigar a atuação de Fauci na gestão da pandemia de Covid-19 e as suspeitas de ocultação sobre a origem do vírus em um laboratório chinês de Wuhan. Em seu pronunciamento inicial, Anthony Fauci rompeu o silêncio apenas para criticar Rand Paul, classificando a postura do senador como uma “obsessão desequilibrada” voltada para incriminá-lo publicamente. Posteriormente, todas as perguntas subsequentes dos parlamentares foram respondidas pelo cientista com a mesma declaração padrão de recusa com base em seus direitos constitucionais.
A estratégia jurídica adotada pelo ex-assessor de saúde provocou forte indignação na bancada republicana. Senadores conservadores como Josh Hawley e James Comer argumentaram que Fauci não possui o direito de recorrer à Quinta Emenda. A justificativa reside no fato de o médico ter recebido um indulto presidencial preventivo e incondicional concedido por Joe Biden antes do término de seu mandato, o que, segundo os congressistas, eliminaria o risco legal de autoincriminação pelas ações passadas. Rand Paul adiantou que pretende acionar os tribunais para avaliar a validade do silêncio de Fauci diante do perdão recebido.
Tensões nos bastidores e reações políticas no Capitólio
O clima de hostilidade na sessão atingiu o ápice quando o presidente da comissão ordenou a expulsão do principal advogado de Fauci, David Schertler, da sala de audiências. O defensor foi removido por agentes de segurança após tentar intervir e debater as regras do painel sem autorização formal da mesa. Fora da sala, Schertler classificou a ação como “ultrajante” e fruto de uma vingança pessoal e infundada contra seu cliente.
Por outro lado, a ala democrata do comitê saiu em defesa do cientista. O senador Richard Blumenthal comparou as investigações conduzidas pelos republicanos às perseguições ideológicas do Macartismo na década de 1950. Segundo os congressistas da oposição a Trump, o processo foi desenhado apenas como um “teatro político” e uma tentativa de armadilha jurídica contra um profissional que dedicou décadas à saúde pública.
Apesar das pressões, o avanço da votação de desacato no plenário do Senado precisará romper barreiras regimentais rígidas e alcançar uma maioria de 60 votos para superar uma eventual obstrução (filibuster) da oposição.
