Nesta segunda-feira (8), o deputado federal Paulinho da Força, relator do projeto de lei de dosimetria penal em tramitação na Câmara, deixou claro: o texto não contempla anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que inviabiliza, por ora, qualquer possibilidade de que ele volte a concorrer em 2026. 
Apesar disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista ao programa da TV Record no domingo (7), afirmou que a única condição sob a qual desistiria da pré-candidatura à Presidência é ver o pai “livre, nas urnas” — ou seja, posta a libertação de Jair Bolsonaro como preço político para recuar da corrida eleitoral. 
Flávio argumenta que sua pré-candidatura “não é balão de ensaio”: para ele, recuar representaria aceitar um suposto “cativeiro” imposto a “quase 60 milhões de brasileiros”. Nesse contexto, a “justiça” para ele significa a libertação do pai, e possivelmente de outros condenados — o que remete a uma perspectiva de anistia ampla ou impunidade, algo que o relator do PL da dosimetria já descartou. 
No plano legal, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado contra a ordem democrática após as eleições de 2022. A decisão foi confirmada recentemente pela Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou o recurso da defesa. 
Embora o PL da dosimetria retrate a possibilidade de redução de pena — mencionando, por exemplo, que a condenação poderia “cair” de 27 anos e 3 meses para cerca de 2 anos e 4 meses — Paulinho da Força enfatizou que o texto não resolve o problema de Bolsonaro de forma a torná-lo elegível. “Anistia para Bolsonaro está fora de questão”, disse. 
Ou seja: mesmo com a pressão do clã Bolsonaro e a ameaça explícita de retirada de candidatura por parte de Flávio, as perspectivas legais e parlamentares são adversas. A proposta em tramitação não contempla anistia nem restitui os direitos políticos do ex-presidente — o que bloqueia, por ora, o cenário de retorno de Bolsonaro às urnas.
O embate está colocado: de um lado, a exigência de “justiça e liberdade” de Flávio como condição para abrir mão da disputa; de outro, a institucionalidade que, até aqui, se mantém firme contra qualquer benefício de exceção. A decisão sobre seguir com ou abandonar a pré-candidatura, portanto, dependerá tanto da evolução da lei quanto da pressão de base.
