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Brasil volta a ser devedor externo após 19 anos; inadimplência bate recordes

Dívida externa superou ativos considerados no cálculo líquido, enquanto Serasa aponta 84 milhões de consumidores e 9,3 milhões de empresas inadimplentes.

Por Redação02/11/2026 23:14◉ 78 visualizações
Brasil volta a ser devedor externo após 19 anos; inadimplência bate recordes

O Brasil voltou à condição de devedor externo líquido em 2026, após 19 anos com saldo negativo nesse indicador. O movimento ocorreu durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reflete o crescimento das obrigações externas em ritmo superior ao dos ativos considerados no cálculo, segundo dados do Banco Central divulgados pela imprensa.

Em junho, a dívida externa bruta alcançou US$ 407,1 bilhões, enquanto a dívida externa líquida ficou positiva em aproximadamente US$ 5,1 bilhões. A condição de credor havia sido mantida de 2007 a 2025. Em julho, a dívida bruta já havia avançado para US$ 411,1 bilhões, conforme estimativa do Banco Central.

O que significa voltar a ser devedor externo?

A dívida externa bruta reúne compromissos com credores estrangeiros de diferentes setores, incluindo governo, bancos e empresas. Portanto, não representa exclusivamente dívida contraída pelo governo federal. Já a dívida externa líquida considera a dedução de ativos externos relevantes. O resultado positivo indica que as obrigações superaram os ativos usados nessa metodologia.

A mudança merece acompanhamento, mas não significa, por si só, insolvência ou crise cambial iminente. O Brasil mantém reservas internacionais expressivas, que somaram US$ 372,6 bilhões em agosto, segundo o Banco Central.

Inadimplência atinge consumidores e empresas

O quadro de endividamento também se manifesta no mercado doméstico. Em seu Boletim Econômico de outubro, a Serasa Experian informou que 84 milhões de consumidores estavam negativados em agosto de 2026, cerca de 51% da população adulta, com R$ 592,1 bilhões em dívidas. O indicador se refere a pessoas com débitos em atraso, não a 84 milhões de famílias.

Entre as empresas, o levantamento da Serasa Experian registrou 9,3 milhões de CNPJs inadimplentes em agosto, com R$ 244,4 bilhões em dívidas negativadas. As micro e pequenas empresas responderam por 8,8 milhões desses registros. Os números disponíveis não permitem afirmar quantas empresas encerrarão 2026 inadimplentes, uma vez que o ano ainda não terminou.

Pressão sobre a economia e debate político

O avanço da inadimplência e a deterioração do saldo externo ampliam o debate sobre crédito, juros, atividade econômica e a condução da política econômica no governo Lula. Atribuir toda a evolução desses indicadores a uma única decisão presidencial, entretanto, exigiria uma análise causal mais ampla, que considere também fatores privados, financeiros e internacionais.

Os dados mostram dificuldades concretas para consumidores e empresas e uma alteração na posição externa brasileira. A avaliação de seus riscos depende da trajetória dos indicadores nos próximos meses, e não apenas de um número isolado.

Fontes consultadas: Banco Central do Brasil (estatísticas do setor externo); Broadcast/Estadão Conteúdo (21 de outubro e 27 de agosto de 2026); Serasa Experian (Boletim Econômico de outubro e indicador de inadimplência empresarial de agosto de 2026).

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