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Chiquini questiona relação entre Amado e Vorcaro

Acusação cita mensagens de 2025; vínculo com reportagem de 2023 sobre Filipe Martins não foi comprovado na apuração.

Por Redação◉ 344 visualizações
Chiquini questiona relação entre Amado e Vorcaro

O deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) acusa o jornalista Guilherme Amado de manter uma relação de colaboração com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo material encaminhado à redação do ZipNews. A alegação é atribuída a uma publicação no X que associa supostas mensagens de 2025 à cobertura sobre o ex-assessor presidencial Filipe Martins.

O que mostram as reportagens sobre Vorcaro

Reportagem do UOL publicada em 15 de outubro de 2026 relata mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro sobre interferência em veículos de comunicação. No caso do PlatôBR, o texto descreve conversas com Flávio Carneiro, cuja empresa Foone aparece como sócia do portal.

Segundo o UOL, Carneiro combinou em março de 2025 o envio de textos ao então banqueiro antes da publicação. Em agosto, Vorcaro também pediu que o veículo atacasse Ricardo Cappelli e evitasse referências a determinados dirigentes partidários. O relato consultado descreve esses diálogos entre Vorcaro e Carneiro; não demonstra, por si, a participação pessoal de Amado em cada orientação.

Essas mensagens são posteriores à reportagem sobre Martins publicada no Metrópoles em 2023. A existência dos diálogos de 2025 não estabelece uma ligação causal com aquele texto ou comprova participação de qualquer jornalista na criação de um registro migratório falso.

A reportagem de 2023 e o registro dos EUA

O texto do Metrópoles é de 4 de outubro de 2023 e tem assinatura de Edoardo Ghirotto, Natália Portinari e Guilherme Amado. A página consultada apresenta o título “Investigado, Martins teve entrada registrada nos EUA e depois evaporou” e informa que um documento americano apontava a chegada do ex-assessor a Orlando em 30 de dezembro de 2022.

Em comunicado de 10 de outubro de 2025, a agência americana de Alfândega e Proteção de Fronteiras, CBP, informou ter concluído que Martins não entrou nos Estados Unidos naquela data. O órgão reconheceu que um registro incorreto havia sido citado para justificar sua prisão por meses e disse que a inserção da informação permanecia sob investigação.

Já em agosto de 2026, a Folha de S.Paulo publicou reportagem sobre uma audiência na qual o juiz federal americano Gregory Presnell tratou o registro como falso e determinou a entrega de documentos para esclarecer sua origem. O caso judicial americano buscava acesso a informações do governo.

A mesma reportagem da Folha relaciona o dado migratório à fundamentação da prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes em 2024. Isso não permite concluir que uma notícia jornalística tenha sido a única base da decisão nem identifica quem inseriu o registro no sistema americano.

Responsabilidades permanecem distintas

Em outubro de 2025, a CNN Brasil noticiou que a Procuradoria-Geral da República apoiou uma investigação específica sobre os registros, a pedido da PF. Na ocasião, a PGR levantou suspeitas sobre eventual manipulação dos dados; a defesa de Martins negou a viagem e sustentou que o registro havia sido inserido indevidamente. Essas posições devem ser lidas como manifestações daquele momento, não como conclusão atual sobre a autoria.

A apuração não localizou uma manifestação específica de Amado sobre o vídeo descrito nesta pauta. Também não encontrou documento que comprove sua participação, ou a de Vorcaro, na produção do registro migratório. A confirmação de que o dado era incorreto não autoriza atribuir sua criação a pessoas determinadas sem evidências adicionais.


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