A mobilização pela criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as supostas fraudes bilionárias no Banco Master ganhou força no Congresso Nacional nos últimos dias, com parlamentares declarando que já há assinaturas suficientes para sua instalação e pedindo a leitura imediata do requerimento, antes que qualquer “atrapalhamento” atrapalhe as apurações.
Um deputado que postou vídeo nas redes sociais reforçando o pedido afirmou:
“Já temos mais do que o suficiente para a instalação da CPMI do Banco Master. Não podemos permitir que as investigações sejam atrapalhadas, muito menos por aqueles que deveriam proteger o processo!”
O caso veio à tona após investigação da Polícia Federal dentro da Operação Compliance Zero, que apurou indícios de fraudes envolvendo até R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito negociadas pelo Banco Master, incluindo operações com o Banco Regional de Brasília (BRB) e suspeitas de créditos sem lastro.
Congestionamento político e luta por transparência
Pedidos para a criação de uma CPMI do Banco Master já contam com apoio de mais de 200 parlamentares de ambos os lados do espectro político, incluindo dezenas de senadores que também protocolaram requerimentos no Senado, pressionando o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), a convocar sessão conjunta para a leitura do pedido.
A iniciativa ocorre no meio de um cenário político tenso, com aliados do governo e da oposição tentando influenciar tanto o formato quanto o escopo da investigação, que pode incluir desde o processo de liquidação do banco até supostas conexões com agentes públicos e entidades privadas.
Resistências e desdobramentos
Embora o número mínimo de assinaturas esteja alcançado, ainda existem resistências de alguns grupos políticos dentro do centrão e de parlamentares aliados ao governo, que temem que a CPMI exponha figuras influentes e amplie a crise no sistema financeiro e político.
Além disso, o caso já atraiu atenção do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros órgãos — inclusive com ações recentes de congelamento de bens de investidores ligados ao banco em meio às investigações.
A CPMI, se instalada, terá poder de convocar depoimentos e requisitar documentos sigilosos para aprofundar a investigação sobre fraudes que, segundo estimativas da Polícia Federal, podem ser um dos maiores esquemas financeiros da história recente do país.
