CPMI do Banco Master é protocolada no Congresso com recorde de assinaturas para investigar fraudes bilionárias

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O pedido de instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master foi oficialmente protocolado no Congresso Nacional nesta terça-feira (3/2), em meio a forte pressão política e jurídica para apurar supostas irregularidades e fraudes financeiras bilionárias envolvendo a instituição bancária e a tentativa de transferência de ativos ao Banco de Brasília (BRB).

A iniciativa, de autoria do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), foi entregue com 278 assinaturas de parlamentares — incluindo 42 senadores e 236 deputados — muito acima do mínimo necessário para sua instalação.

Segundo o requerimento, a CPMI tem por objetivo investigar indícios de fraudes financeiras estimadas em mais de R$ 12,2 bilhões, bem como eventuais tentativas de transferir passivos e prejuízos ao BRB, que é um banco controlado pelo governo do Distrito Federal.

Paralelamente, a Polícia Federal já conduz investigações ligadas ao caso, inclusive no âmbito da chamada Operação Compliance Zero, que mira práticas de gestão fraudulentas, criação de carteiras de crédito fictícias e emissão irregular de títulos bancários, acusações que culminaram na prisão temporária do então presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.

No Senado, a Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou que a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar todos os procedimentos que resultaram em prejuízos ao BRB, que, segundo parlamentares, podem alcançar cifras bilionárias. Para isso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado criou um grupo de trabalho para acompanhar a apuração e fiscalizar o processo, reforçando que os interesses dos cidadãos, especialmente os moradores do Distrito Federal, serão defendidos no âmbito legislativo.

O caso ganhou forte repercussão entre líderes políticos e na imprensa nacional, com debates sobre a atuação de órgãos reguladores e questões envolvendo supostas interferências externas e autoridades públicas.

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O próximo passo para a instalação formal da CPMI é a leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso, ato imprescindível para que os trabalhos da comissão tenham início, o que está sob responsabilidade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Ministros e Autoridades Envolvidos nas Apurações

O caso ganhou ainda mais repercussão ao envolver autoridades do mais alto escalão da República, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-autoridades públicas, cujas relações com o banco ou com personagens ligados ao grupo financeiro estão sendo objeto de questionamento e investigação:

  • Alexandre de Moraes (STF) – O caso Banco Master trouxe à tona um contrato no valor de R$ 129 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia da sua esposa, Viviane Barci de Moraes, para prestação de serviços jurídicos. A relação gerou pedidos de impeachment contra o ministro no Senado, com acusações de possível conflito de interesses.
  • Dias Toffoli (STF) – O ministro assumiu a relatoria de parte das apurações no STF. Informações indicam que parentes próximos dele tiveram relações societárias com fundos de investimento ligados a ativos associados ao caso, o que ampliou as críticas e levantou questões sobre confiança pública e transparência.
  • Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e do STF – Lewandowski confirmou que firmou um contrato de consultoria com o Banco Master, que posteriormente foi repassado ao seu filho ao assumir cargo no governo federal, gerando questionamentos sobre a natureza da consultoria e seu vínculo com o banco investigado.

Além dos magistrados mencionados, outras autoridades federais participaram de reuniões convocadas pelo presidente Lula para discutir o avanço das investigações, incluindo os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Wellington Lima e Silva (Justiça) e membros de órgãos como a Polícia Federal, Receita Federal e Banco Central, que reforçaram a interlocução institucional no caso.

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