O deputado Alexandre Ramagem (PL‑RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação em uma suposta trama golpista, foi visto em Miami, nos Estados Unidos. A suspeita de que ele tenha fugido do Brasil provocou uma crise política, com pedidos de prisão imediata por parte de deputados de oposição.
A Câmara dos Deputados, por sua vez, emitiu nota oficial declarando que não foi informada sobre a viagem de Ramagem. Segundo a Casa, não há registro de autorização para missão oficial no exterior, tampouco comunicado formal sobre sua saída do país. A presidência da Câmara, exercida pelo deputado Hugo Motta (Republicanos‑PB), diz que desconhece qualquer pedido de afastamento ou liberação para atuação em solo estrangeiro. Além disso, afirma que Ramagem apresentou atestados médicos que cobrem os períodos de 9 de setembro a 8 de outubro e de 13 de outubro a 12 de dezembro. 
Parlamentares do PSOL-RJ reagiram com veemência à notícia. Eles protocolaram um pedido no STF para que seja decretada prisão preventiva de Ramagem, argumentando que “tudo indica” que ele fugiu para escapar ao cumprimento da pena. Entre os signatários estão os deputados Pastor Henrique Vieira, Glauber Braga, Chico Alencar, Tarcísio Motta e Talíria Petrone. 
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) reforçou a pressão, afirmando que apresentou uma petição ao STF relatando a alegada fuga, uso de passaporte “irregular” e risco concreto à aplicação da lei penal. Ele exige uma resposta imediata das autoridades judiciais e legislativas. 
No entanto, até o momento, não há ordem de prisão definitiva expedida pelo STF, e o parlamentar continua recorrendo em liberdade. Em maio de 2025, a 1ª Turma do Supremo decidiu por unanimidade manter a ação penal contra Ramagem, que envolve acusações de uma suposta tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, também teve proibido sair do país durante as investigações: o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF, ordenou a entrega de seus passaportes nacional e estrangeiro. 
Consta no site da Câmara dos Deputados que o passaporte diplomático de Ramagem está ativo e legal até 2027. O STF não confirmou se alguma decisão em sigilo pode ter derrubado a cautelar, o que permitiria a viagem de Ramagem aos Estados Unidos.
Sobre a votação do PL Antifacção, realizada recentemente, há mais controvérsia: apesar de supostamente estar fora do Brasil, Ramagem teria participado da sessão e votado à distância. Segundo reportagem do O Tempo, ele chegou a solicitar à Câmara autorização para contratação de pacotes de dados internacionais para seus chips institucionais, o que levantou suspeitas de tentativa de burlar restrições. 
Até agora, a defesa de Ramagem optou por não se manifestar publicamente sobre as acusações de fuga. A crise, no entanto, tende a se agravar, já que sua condenação transitou em acórdão recente e a conta regressiva para eventual prisão se intensifica.
