A Justiça Federal em Brasília determinou a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, um dos controladores do Banco Master, após pedido de habeas corpus da defesa ser negado pela desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A decisão foi anunciada no dia 19 de novembro de 2025, reforçando que a detenção é necessária para preservar a ordem pública e desarticular uma suposta organização criminosa. 
Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular. As investigações apontam que ele se preparava para um voo com destino aos Emirados Árabes Unidos, segundo a PF. 
A prisão faz parte da Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. De acordo com as investigações, esses papéis teriam sido vendidos e, posteriormente, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada, em manobras que teriam beneficiado a instituição financeira. 
Além de Vorcaro, outros executivos e sócios do banco estão sob investigação: cumpriram-se sete mandados de prisão (entre preventivas e temporárias) e 25 mandados de busca e apreensão em várias unidades da Federação — entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. 
Na decisão que negou a liberdade ao banqueiro, a desembargadora afirmou que há indícios de “manobras para fraudar o sistema financeiro”, com uso de empresas de fachada e simulação da origem de créditos inexistentes. Ela também alertou que o esquema pode ter gerado prejuízos de aproximadamente R$ 17 bilhões, especialmente relacionados ao Banco de Brasília (BRB), que teria recebido carteiras de crédito irregulares do Master. 
A investigação também questiona a relação entre o Banco Master e o BRB: segundo a PF, parte das carteiras de crédito irregulares teria sido vendida ao banco público, o que desencadeou apurações sobre possível conluio e gestão fraudulenta. 
Após a prisão, o Banco Central (BC) interveio no Banco Master e decretou sua liquidação extrajudicial, congelando bens de Vorcaro e de outros administradores. 
Em nota, a defesa de Vorcaro negou que ele tivesse a intenção de fugir do país, afirmando que ele sempre se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. 
O caso desestabiliza não só o Banco Master, mas reacende a atenção sobre riscos sistêmicos no sistema financeiro brasileiro, especialmente por conta das repercussões para investidores, credores e órgãos reguladores.
