O tradicional desfile cívico-militar do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, trouxe neste ano uma forte carga de simbolismo político e gerou intensas discussões sobre a verdadeira temperatura do apoio popular ao governo federal. Sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desfilou ao lado da primeira-dama Janja da Silva no Rolls-Royce presidencial, as celebrações do Dia da Independência dividiram opiniões e expuseram os desafios de mobilização do Palácio do Planalto.
De um lado, a oposição e críticos do governo apontaram que, apesar de acenos e da estrutura montada, o evento expôs clareiras na avenida e uma dificuldade em lotar o local com “o Brasil real”, argumentando que a esplanada não refletiu o engajamento massivo de anos anteriores. De outro lado, a Secretaria de Comunicação do governo celebrou a presença do público geral, que madrugou para garantir lugares na Esplanada dos Ministérios, e destacou as manifestações de apoiadores que entoaram gritos em favor do presidente.
Tribuna de honra cheia e sobriedade institucional
Se a presença popular divide interpretações, a cúpula de Brasília compareceu em peso. A tribuna de honra reuniu as principais lideranças políticas e judiciais do país em um momento de explícita tensão institucional de bastidor. Estavam presentes:
- O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.
- Os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
- O vice-presidente Geraldo Alckmin e 29 ministros de Estado.
Por recomendação expressa da Advocacia-Geral da União (AGU), a cerimônia manteve uma postura estritamente institucional e sóbria para evitar quaisquer irregularidades com a legislação do período de campanha eleitoral.
Foco em pautas sociais e investimentos
Organizado em três grandes eixos temáticos — que abordaram a soberania nacional, a proteção de mulheres e meninas e a segurança alimentar —, o evento custou R$ 5,74 milhões aos cofres públicos, um valor 33% superior ao registrado em 2025. Durante a marcha, o público também aproveitou o espaço para levantar demandas sociais, como pedidos pelo fim da escala de trabalho 6 por 1, respondidos por Lula com gestos de coração para a plateia.
A dualidade entre uma tribuna completamente ocupada pelas principais forças da República e arquibancadas que são alvo de acalorados debates sobre a sua real densidade de público resume o cenário atual do governo federal: uma consolidada articulação institucional interna que ainda busca reencontrar sua máxima capacidade de mobilização popular nas ruas brasileiras.