TEGUCIGALPA – O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras proclamou oficialmente, nesta quarta-feira, 24 de dezembro de 2025, o conservador Nasry “Tito” Asfura, do Partido Nacional, como o novo presidente eleito do país. A vitória encerra semanas de incerteza política e atrasos técnicos após a votação realizada em 30 de novembro.
Asfura venceu com 40,5% dos votos, superando por uma margem estreita Salvador Nasralla, do Partido Liberal, que obteve 39,2%. A candidata do atual governo, Rixi Moncada (Partido Libre), ficou em terceiro lugar com 19,3%.
Atrasos e polêmicas na apuração
O processo de apuração foi marcado por interrupções no sistema de transmissão de resultados, que as autoridades eleitorais classificaram como “inescusáveis”. A presidente do CNE, Ana Paola Hall, atribuiu a falha à empresa privada responsável pela tabulação, que teria realizado manutenções sem aviso prévio. Devido à instabilidade, cerca de 15% das atas precisaram ser contadas manualmente para garantir o resultado final.
Influência de Donald Trump e reações internacionais
A eleição foi fortemente influenciada pelo apoio explícito do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que endossou Asfura como o único capaz de combater o narcotráfico e o “comunismo” na região. Trump chegou a alertar sobre “consequências terríveis” caso o resultado fosse alterado e ameaçou cortar verbas destinadas ao país.
Em contraste com a pressão de Trump, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, adotou um tom diplomático, instando todas as partes a respeitarem o veredito para garantir uma “transição pacífica de autoridade”.
Clima de tensão e denúncias de “Golpe Eleitoral”
O anúncio da vitória de Asfura não apaziguou as tensões internas. O presidente do Congresso Nacional, Luis Redondo, declarou que o resultado é “completamente ilegal”. A atual presidente de Honduras, Xiomara Castro, que deixará o cargo, classificou o processo como um “golpe eleitoral” e denunciou interferência externa nas urnas.
Apoiadores do partido governista Libre realizaram grandes protestos em Tegucigalpa, exigindo a anulação do pleito por alegada fraude patrocinada por interesses estrangeiros.
Próximos Passos
Apesar dos protestos, Asfura usou suas redes sociais para reafirmar seu compromisso: “Honduras: estou pronto para governar. Não vou decepcionar vocês”. A posse está prevista para janeiro de 2026, mas observadores internacionais, como os da OEA, recomendam cautela máxima diante da polarização que divide o país
