O coração produtor de cacau do Brasil, na rodovia Transamazônica, vive dias de intensa tensão. Em Medicilândia, no Pará, centenas de produtores rurais foram às ruas em um forte protesto contra o cenário de asfixia econômica que atinge a região. A categoria denuncia o colapso dos preços e as políticas federais de importação, que teriam reduzido a produção regional pela metade desde 2023.
A indignação dos agricultores se concentra na ausência de subsídios e na falta de proteção do mercado nacional frente à entrada de amêndoas estrangeiras. “É uma política que nos humilha e nos destrói”, afirmou um dos manifestantes, ecoando o sentimento de abandono que tomou conta da maior região produtora de cacau do país.
Conflitos em Souzel e intervenção ambiental
Enquanto Medicilândia foca na sobrevivência econômica, o município vizinho de Senador José Porfírio (Souzel) registra cenas de violência e desespero. Relatos e vídeos de ativistas mostram agentes governamentais, supostamente vinculados a órgãos de fiscalização ambiental como o IBAMA, demolindo e queimando moradias de famílias ribeirinhas e trabalhadores rurais na área do Rio Xingu.
As ações, justificadas sob o pretexto de combate ao desmatamento, são duramente criticadas por lideranças locais. A acusação é de que o governo federal utiliza táticas de “terra arrasada”, desalojando famílias de baixa renda sem oferecer alternativas de moradia ou subsistência. O contraste entre a narrativa oficial de preservação e a realidade de destruição de lares tem inflamado o discurso de conservadores e representantes do setor produtivo na Amazônia.
O cenário atual revela um fosso crescente entre as regulações ambientais do governo federal e a realidade de sobrevivência de quem vive da terra na Transamazônica, transformando o sudoeste paraense em um barril de pólvora social e político.
