Invasão chinesa é pior que tarifaço dos EUA para indústria de máquinas, diz ABIMAQ

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O debate sobre as diretrizes do comércio exterior brasileiro ganhou um novo capítulo alarmante nos bastidores econômicos de Brasília. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), José Velloso, manifestou profunda preocupação com o atual fluxo comercial do país. Para o executivo, a “invasão” de produtos industriais vindos da China causa danos estruturais muito mais profundos à manufatura local do que o recente anúncio de novas tarifas alfandegárias de 25% feito pela Casa Branca.

Essa análise joga luz sobre um dilema complexo enfrentado por empresários brasileiros. Ao mesmo tempo em que perdem espaço no exterior pelas restrições americanas, as fábricas domésticas sofrem com a perda crônica de competitividade dentro do próprio território nacional.

O peso oculto dos subsídios e o silêncio da mídia

De acordo com o posicionamento da entidade setorial, o mercado brasileiro enfrenta uma competição desleal que compromete o futuro da produção de bens de capital. A China adota agressivamente políticas de desoneração, manipulação de taxas cambiais e financiamentos subsidiados sem exigência de reembolso para as suas empresas exportadoras.

Como consequência direta dessas facilidades asiáticas, as projeções indicam que a importação de maquinários prontos vindos do território chinês deve romper marcas históricas muito em breve. Críticos do atual modelo econômico e parlamentares da oposição alertam também que este avanço agressivo recebe pouca atenção da grande imprensa. De forma análoga, o setor privado lamenta que medidas severas de taxação externa, muitas vezes superiores às dos próprios países ocidentais, não ganhem o mesmo espaço nas discussões públicas de rádio e televisão.

Indústria rejeita Lei da Reciprocidade contra os EUA

Apesar do forte impacto do novo regime fiscal adotado por Washington, que fez a participação americana nas exportações do setor encolher de 31% para 22%, a ABIMAQ adota uma postura pragmática. Após reuniões estratégicas com o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), José Velloso posicionou-se formalmente contra a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

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Os fabricantes entendem que o avanço das barreiras americanas possui uma forte motivação política ligada ao governo de Donald Trump. Portanto, uma retaliação direta apenas afastaria o Brasil das mesas de negociação diplomática. Além disso, cerca de 82% das exportações brasileiras de máquinas para os EUA envolvem operações intercompany (comércio entre subsidiárias do mesmo grupo). Uma retaliação comercial do governo brasileiro acabaria prejudicando as próprias operações internacionais das empresas nacionais.

O desafio de equilibrar as relações bilaterais

O Brasil vive uma encruzilhada geopolítica difícil de solucionar. Setores essenciais da economia nacional, como o agronegócio, a mineração e a pecuária, dependem fortemente da exportação de commodities para a Ásia e barram qualquer iniciativa do governo que sinalize uma retaliação tarifária contra a China.

Para compensar o cenário adverso e mitigar os efeitos cambiais, a ABIMAQ solicitou ao Palácio do Planalto ações voltadas ao mercado interno. O foco das petições empresariais concentra-se em três pilares urgentes:

  • Ampliação imediata das linhas de crédito à exportação.
  • Aperfeiçoamento dos programas de fomento da “Nova Indústria Brasil” e do Plano Brasil Soberano.
  • Abertura pragmática de novos mercados internacionais alternativos para garantir o escoamento da produção de alta tecnologia.

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