O clima entre os Três Poderes voltou a subir de temperatura nesta quinta-feira (23 de abril de 2026). O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) reagiu de forma contundente às recentes declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que em entrevistas criticou a atuação do parlamentar na CPI do Crime Organizado. De acordo com Vieira, o magistrado tem se dedicado excessivamente a ataques pessoais para evitar o debate sobre fatos concretos.
A origem do embate: Relatório da CPI
O conflito intensificou-se após o encerramento da CPI do Crime Organizado, da qual Alessandro Vieira foi relator. No relatório final, o indiciamento de Gilmar Mendes e outros ministros da Corte foi sugerido pelo parlamentar, sob a justificativa de investigar supostas condutas irregulares. Dessa maneira, a reação do ministro foi imediata, classificando o documento como uma “viagem” e acionando a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o senador por suposto abuso de autoridade.
Vieira aponta tentativa de intimidação
Em resposta às ofensas verbais proferidas pelo decano do STF — que chegou a sugerir que o relatório teria sido motivado pelo uso de substâncias alucinógenas — Vieira afirmou que não se sente intimidado. Portanto, o senador declarou que a “conduta descontrolada” de Mendes apenas reforça que o trabalho parlamentar atingiu pontos sensíveis do sistema.
“O ministro Gilmar Mendes continua com seu roteiro de tentativa de ameaça e intimidação. Ele está gastando bastante tempo dando entrevista tentando me atacar enquanto deixa de responder pontos centrais”, afirmou o parlamentar em nota à imprensa.
Defesa e Imunidade Parlamentar
Além disso, a defesa técnica do senador já solicitou o arquivamento do pedido de investigação enviado por Mendes à PGR. É argumentado por Vieira que sua atuação está protegida pela imunidade parlamentar, conforme jurisprudência do próprio Supremo Tribunal Federal. Para o senador, em uma democracia republicana não podem existir “intocáveis” e as urnas demonstrarão que o poder emana do povo, não de magistrados da Suprema Corte.
Desdobramentos em Brasília
O embate ocorre em um momento de fragilidade institucional, onde o STF é acusado por membros do Legislativo de interferência política. Por fim, o senador reiterou que deve continuar questionando autoridades para que o Brasil se torne uma democracia plena, onde todos, inclusive ministros, possam ter suas condutas submetidas ao escrutínio público e legal.
