O empresário João Carlos Camargo Júnior, apelidado de “alfaiate dos famosos”, prestou depoimento na última terça-feira à CPMI do INSS amparado por um habeas corpus e, em grande parte, optou pelo silêncio, enquanto parlamentares o acusavam de ser um dos principais operadores do esquema que desviou recursos de aposentados e pensionistas. Segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União‑AL), documentos demonstram que a empresa MKT Connection Group, controlada por Camargo, recebeu mais de R$ 31 milhões da Associação Amar Brasil, apontada como entidade de fachada no esquema de fraudes.
Além disso, a Alfaiataria Camargo, tradicional negócio do empresário, teria recebido R$ 1,7 milhão sem comprovar a prestação de serviços, segundo o relator. Gaspar afirmou que Camargo integra uma estrutura criminosa junto a outros investigados, como Américo Monte Júnior, Anderson Vasconcelos, Felipe Melo Gomes, José Branco Garcia e Igor Dias Delecrode, que teriam operado por meio de empresas e associações para fazer descontos fraudulentos nos benefícios previdenciários. Durante a sessão, a deputada Coronel Fernanda (PL‑MT) o confrontou com acusações duras, dizendo que, se fosse preso, “poderia virar mulherzinha no presídio”, diante das vítimas dos golpes — comentário que gerou reação forte entre os parlamentares. Gaspar anunciou que pedirá ao Supremo Tribunal Federal a prisão de Camargo.
Por sua parte, o empresário negou ter qualquer relação da sua alfaiataria com as supostas fraudes, afirmou que a MKT Connection prestou serviços legalmente, paga impostos e declarou que seus rendimentos são compatíveis com suas atividades. No depoimento, Camargo disse que não reconhece “injustiça” entre seu negócio tradicional de costura e as acusações. O relator também apontou a utilização de ao menos 14 CNPJs vinculados a Camargo, incluindo a Kairos Representações, empresa supostamente sócia dele com outros integrantes do esquema, além de levantar indícios de envolvimento de um contador, Mauro Palumbo Concílio, que prestaria serviços para empresas ligadas a Camargo e ao restante do grupo. Segundo Gaspar, os desvios poderiam ultrapassar R$ 700 milhões. A CPMI investiga ainda a participação de outros nomes ligados à fraude, enquanto a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União continuam apurando os detalhes do esquema.
