Relatos de imigrantes e organizações de defesa apontam para uma mudança drástica no sistema de justiça migratória dos Estados Unidos: pessoas com processos de imigração em curso têm seus casos “encerrados” repentinamente em tribunal, sem direito a apelo, para serem imediatamente detidas por agentes do ICE. De acordo com advogados e fontes ouvidas pela imprensa, essa estratégia vem ganhando força desde maio de 2025, com advogados do governo solicitando o encerramento oral dos processos durante as audiências – uma prática que muitos juízes estão aceitando, permitindo que o ICE prenda os imigrantes ao final da sessão.  Especialistas alertam que, ao aprovar esses encerramentos relâmpago, os juízes privam os migrantes de prazos legais de defesa, tornando-os vulneráveis à “remoção acelerada” (expedited removal), que acelera sua deportação sem uma audiência completa ou a possibilidade de recorrer. 
Organizações de defesa dos imigrantes relatam que agentes do ICE rondam os corredores dos tribunais de imigração para prender pessoas justamente nos momentos em que seus casos são finalizados.  Em Houston, por exemplo, familiares relatam que um imigrante cubano identificado como “Óscar”, depois de ter seu pedido de asilo negado, foi algemado por agentes logo após a audiência, sob protestos emocionados de parentes que afirmam que ele não cometeu crime.  A tia de outro jovem cubano detido na corte disse que a detenção ocorreu logo após o juiz rejeitar seu caso, denunciando falta de transparência e acusando o sistema de intimidar imigrantes com prisões em tribunais. 
A nova tática de encerramento imediato vem acompanhada de uma política interna que orienta os juízes a aceitar pedidos verbais de encerramento feitos pelos advogados do Departamento de Segurança Interna (DHS), sem aguardar os prazos de defesa estabelecidos por lei — uma mudança que juristas consideram grave, por comprometer o devido processo.  Com os casos finalizados dessa maneira, os imigrantes ficam fora da jurisdição normal do tribunal e muitos são colocados diretamente no processo de deportação acelerada — um mecanismo que tem sido criticado como uma forma de acelerar a expulsão sem garantia de recursos. 
Outra frente da controvérsia envolve os juízes de imigração: denunciados por defender os direitos dos migrantes, alguns têm sido demitidos abruptamente. Três juízes falaram à CBS News recentemente, afirmando que foram desligados por e-mail, sem explicações, após tomarem decisões contrárias ao fechamento automático dos casos. “Foi arbitrário, injusto… foi um ataque ao Estado de Direito”, disse George Pappas, que atuava em Boston.  Esses desligamentos alimentam alegações de que juízes estão sendo punidos por não facilitar a remoção rápida de imigrantes, o que enfraqueceria a independência da Justiça migratória.
Em paralelo, críticos argumentam que a operação não apenas viola os direitos dos imigrantes, mas também mina a confiança no sistema judiciário. Muitos imigrantes se veem diante de uma escolha cruel: comparecer ao tribunal e arriscar a prisão ou faltar às audiências e sofrer ordens de deportação à revelia.  Há ainda decisões recentes da Justiça que geram tensão: um juiz federal bloqueou a tentativa do governo Trump de acelerar deportações de pessoas que entraram no país pelo programa de “parole humanitário”, ao afirmar que essas remoções rápidas ferem o direito a um processo justo. 
Um caso que tem sido citado por ativistas é o de uma mulher cubana de 25 anos, identificada apenas como Jenny, que conseguiu audiências de asilo legais, mas foi presa por agentes do ICE assim que deixou o tribunal, sem explicação pública.  A situação expõe para muitos um cenário sinistro: a justiça migratória se converteu em campo de esforço político para deportações em massa, segundo organizações defensoras, que alertam para “erosão de garantias processuais, intimidação e destruição de famílias”.
