O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, protocolou um pedido para a convocação de Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático relacionados a um contrato de R$ 129 milhões firmado com o Banco Master.
O requerimento faz parte do relatório parcial apresentado por Vieira, no qual o senador aponta inconsistências em fluxos financeiros e levanta suspeitas de que a contratação possa ter relação com processos de capitalização do banco sob investigação, embora não haja, até o momento, imputação formal de crime às partes envolvidas.
Contrato sob análise
O contrato questionado foi assinado em 2023, por meio do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, e previa a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master. O valor elevado e o contexto financeiro da instituição chamaram a atenção da CPI, que investiga possíveis conexões entre operações bancárias atípicas e práticas de lavagem de dinheiro no sistema financeiro nacional.
No relatório, o senador Alessandro Vieira destaca que o Banco Master já foi citado em investigações e fiscalizações anteriores envolvendo irregularidades administrativas e financeiras, o que, segundo ele, justifica a ampliação do escrutínio sobre contratos de grande vulto firmados pela instituição.
Vieira afirma que o objetivo do pedido não é antecipar conclusões, mas permitir que o Senado exerça seu papel constitucional de fiscalização, garantindo transparência em operações potencialmente sensíveis.
Repercussão política e nas redes
O pedido ganhou ampla repercussão após a divulgação de um vídeo publicado no mesmo dia pelo advogado Jeffrey Chiquini, que comentou o avanço da CPI e defendeu a apreciação dos requerimentos pelo Senado. A publicação alcançou milhares de interações, incluindo mais de 3.700 curtidas, e gerou forte engajamento, especialmente entre perfis alinhados à direita.
Nas redes sociais, apoiadores classificaram a iniciativa como um teste à independência institucional, enquanto críticos apontaram risco de politização da CPI em meio ao ambiente de polarização envolvendo o Judiciário e o Supremo Tribunal Federal.
Próximos passos
Os pedidos de convocação e de quebra de sigilos ainda dependem de análise e aprovação pelos membros da CPI. Caso aprovados, Viviane Barci de Moraes poderá prestar esclarecimentos na condição de convocada, e os dados solicitados serão submetidos à avaliação técnica da comissão, respeitando os limites legais.
Até o momento, nem o STF, nem o ministro Alexandre de Moraes, nem a advogada citada se manifestaram publicamente sobre o requerimento. O Banco Master também não divulgou nota oficial a respeito do caso.
A CPI do Crime Organizado segue em andamento e tem como objetivo investigar estruturas financeiras, bancárias e empresariais suspeitas de facilitar ou ocultar atividades ilícitas no país.
