Com 80 anos de idade e fragilizado, ligado a um tanque de oxigênio, Tommy Zeigler apareceu em tribunal nesta segunda-feira para solicitar um novo julgamento. Ele foi condenado em 1976 pelos assassinatos de sua esposa, dos sogros e de um cliente em sua loja de móveis em Winter Garden, Florida — crimes ocorridos na véspera de Natal de 1975.
Após décadas de pedidos, a Justiça concedeu uma audiência de revisão das novas evidências de DNA obtidas recentemente, com tecnologia moderna que não existia à época do julgamento. A defesa afirma que os testes “são totalmente inconsistentes com a culpa” de Zeigler, e que não há vestígios de sangue de sua esposa ou dos sogros em suas roupas — o que, segundo os advogados, invalida a tese de que ele disparou contra as vítimas. 
Conforme os laudos mais recentes, não foram detectados resíduos de pólvora nem “back spatter” (respingos de sangue típicos de tiro a curta distância) nas vestes de Zeigler — ao contrário da versão da acusação no julgamento original. A análise também sugere que o sangue encontrado em uma das roupas da cena do crime pertence a outra pessoa que estava presente no local. 
A defesa sustenta que Zeigler foi, na verdade, a própria vítima de um assalto que deu errado. Segundo ela, o cliente morto poderia ter sido um dos agressores, e as provas modernas corroboram essa possibilidade. 
Do lado do Estado, o Office of the Florida Attorney General — por meio do procurador-geral adjunto Joshua Schow — defende que os novos resultados não alteram os elementos centrais da condenação. “Sabemos agora de quem é o sangue da maior parte daquela roupa… as evidências demonstram claramente que ele matou todas as pessoas”, afirmou. 
O tribunal marcou o início da audiência para 1º de dezembro de 2025, ocasião em que juíza e partes ouvirão os argumentos da defesa e do Estado — com potencial de conceder um novo julgamento ou manter as condenações. 
O caso reacende o debate sobre o uso de tecnologia moderna de DNA em casos antigos, especialmente em condenações que resultaram em pena de morte. Para muitos, representa uma nova chance para revisar erros judiciais históricos; para outros, um desafio à segurança jurídica e à memória das vítimas.
Fox News
