O governo do Donald Trump — por meio do U.S. Department of Transportation (DOT) e da Federal Motor Carrier Safety Administration (FMCSA) — iniciou uma ofensiva rigorosa contra autoescolas de caminhoneiros e motoristas imigrantes, abalando parcialmente a força de trabalho do setor rodoviário. Apesar de especialistas repetirem que o impacto sobre o transporte em si deve ser limitado, a pressão sobre imigrantes no volante tem gerado um aumento no abandono da profissão. 
• Uma análise federal revelou que quase 44% das cerca de 16 mil autoescolas para caminhoneiros nos EUA podem não estar cumprindo os padrões mínimos de treinamento exigidos pelo governo. Como consequência, cerca de 3.000 escolas terão sua certificação cancelada ou suspensa — salvo regularizem sua situação em até 30 dias. Outras 4.500 receberam avisos de possível ação.
• A revogação da certificação significa que essas escolas não poderão mais emitir os certificados necessários para a obtenção da carteira comercial (CDL), levando muitos alunos a abandonarem os cursos.
• Paralelamente, o DOT impôs novos critérios rigorosos para a emissão/promoção de licenças para motoristas não cidadãos — restringindo elegibilidade a certos tipos de visto (como H-2A, H-2B e E-2), exigindo checagem de status migratório via banco federal de dados, e limitando a validade dessas licenças a, no máximo, um ano (ou até a expiração do visto).
A onda de fiscalização foi precipitada por um acidente fatal em 12 de agosto de 2025, na rodovia Turnpike, Flórida. Um caminhoneiro, identificado como imigrante sem autorização adequada, realizou uma conversão proibida com um semirreboque — manobra extremamente perigosa — e colidiu com um veículo de passeio, matando três pessoas. 
O motorista envolvido no acidente havia obtido a CDL na Califórnia, mesmo com deficiência em inglês: depois da tragédia, falhou em teste de proficiência linguística e em exame de conhecimentos gerais para motoristas de veículos comerciais. 
Após o acidente, a administração Trump intensificou as exigências de domínio do inglês para quem dirige caminhões ou ônibus, e reforçou auditorias em programas de emissão de carteira de habilitação comercial para imigrantes. 
Há relatos de motoristas imigrantes que optaram por abandonar o transporte rodoviário para evitar a intensa fiscalização. Segundo veículos da indústria e associações de classe, o receio de ser parado em fiscalizações, ter a carteira revogada ou enfrentar discriminação levou parte dos profissionais a desistir. 
Também há temor de assédio ou discriminação, sobretudo entre grupos mais vulneráveis — o que acentua a insegurança de trabalhar em certas rotas ou estados. 
No entanto, especialistas do setor rodoviário avaliam que o impacto prático será moderado. Muitas das autoescolas alvo já estavam inativas, e as instituições maiores e com boa reputação — que formam a maior parte dos caminhoneiros qualificados — não foram afetadas pela lista de não conformidade. 
Além disso, o setor vive um momento de menor demanda: desde 2022 há uma queda de cerca de 10% nas remessas de cargas, em parte devido à incerteza econômica. 
As novas normas e revogações devem produzir efeitos de forma gradual:
• Licenças já emitidas continuam válidas — pelo menos até a próxima renovação. 
• Novas habilitações dependerão de escolas aprovadas e de aprovação em testes atualizados, inclusive de inglês. 
• Com isso, espera-se que a qualidade e segurança dos motoristas melhorem com o tempo — embora uma restrição drástica no volume de motoristas estrangeiros habilitados possa tornar o mercado mais apertado. 
A ofensiva atual do governo contra autoescolas de baixo padrão e contra emissões de licença “porosos” para imigrantes marca uma guinada significativa na política de transporte rodoviário. Por um lado, há o objetivo crescente de garantir segurança nas rodovias, com motoristas mais bem treinados e aptos a seguir regras estritas — inclusive proficiência em inglês. Por outro, surgem tensões sociais, denúncias de discriminação e receios por parte de imigrantes habilitados que até então seguiam trabalhando normalmente.
Especialistas do setor acreditam que o impacto no transporte de cargas será limitado a curto prazo, mas o cenário para motoristas imigrantes deve ficar mais incerto, com possíveis retrações e substituições a longo prazo.
Fox News / AP News
