O ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva, foi ouvido nesta segunda-feira (1º) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do INSS), após ser conduzido coercitivamente pela Polícia Legislativa do Senado. 
Jucimar reforçou ao colegiado que, embora tenha ocupado cargo de destaque durante o período em que os chamados “descontos associativos” cresceram consideravelmente — chegando a R$ 3,5 bilhões em 2024 — ele não era quem assinava as autorizações de pagamento às entidades que recebiam os valores. “Eu nunca assinei autorização de pagamento, porque eu não era ordenador de despesa para pagamento de entidade”, declarou. Segundo ele, sua função se limitava a acompanhar os trâmites, enquanto as decisões cabiam ao chefe da Divisão de Consignações, ao diretor de Benefícios e à Diretoria de Orçamento, Finanças e Logística. 
Os parlamentares, contudo, apontaram que Jucimar ocupou posição “nevralgica” dentro da estrutura do INSS e questionaram sua alegação de que não tinha poder decisório. O relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), destacou o salto no número de acordos de cooperação técnica (ACTs) tratados pelo INSS sob a gestão de Jucimar: de 16 para 40 entre 2022 e 2024. 
Ainda de acordo com o deputado relator, foi sob essa expansão que os descontos indevidos foram operacionalizados em massa — prática que, para ele, configura um esquema com possíveis rastros de organização criminosa, envolvendo entidades associativas que teriam agido sem autorização dos beneficiários. 
Durante o depoimento, Jucimar negou ter recebido propina para assinar parecer técnico favorável às entidades suspeitas, e também negou que seu nome tenha chegado ao cargo por indicação política. 
O caso está inserido no escândalo revelado pela Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025 pela Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF), que indicou que entre 2019 e 2024 cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados irregularmente de aposentados e pensionistas do INSS. 
Apesar das explicações prestadas, parlamentares consideraram insuficientes os esclarecimentos de Jucimar, o que mantém alta pressão sobre a investigação e a expectativa de aprofundamento dos depoimentos nas próximas sessões da CPMI.
