Michelle Bolsonaro provoca racha no PL ao criticar aliança com Ciro Gomes no Ceará

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A ex-primeira-dama Michele Bolsonaro causou forte turbulência interna no Partido Liberal (PL) neste domingo (30/11), ao repudiar publicamente qualquer apoio do partido ao ex-governador Ciro Gomes na disputa pelo governo do Ceará em 2026. A declaração foi feita durante evento de lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo-CE), ocasião em que a parlamentar atacou diretamente o deputado estadual e presidente estadual do PL, André Fernandes — principal articulador do acordo com Ciro — ao afirmar que “fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita… isso não dá”. 

Michele justificou a rejeição à aproximação por entender que Ciro, mesmo agora filiado ao PSDB, representa ideologicamente o oposto do bolsonarismo. Apesar de elogiar André Fernandes e suas bases no Ceará, ela deixou claro que o alinhamento com Ciro romperia com a identidade tradicional da direita: “Adoro o André… mas aliar-se a quem é contra nosso líder? Não dá.” A ex-primeira-dama declarou apoio irrestrito a Eduardo Girão, reforçando que o núcleo cearense do PL deve concentrar forças na candidatura dele. 

A manifestação provocou reação imediata. Nos bastidores, integrantes do PL afirmaram que a fala de Michele representou uma movimentação precipitada e desautorizada da “voz da família Bolsonaro”, mas que não reflete a decisão partidária. O deputado André Fernandes justificou que o apoio ao Ciro teve aval direto do ex-presidente Jair Bolsonaro e do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto — o que, na visão dele, legitima o movimento. 

A crise interna motivou convocação de uma reunião emergencial do PL, marcada para 2 de dezembro, com presença da própria Michele, de lideranças do partido e de membros da família Bolsonaro. A expectativa é que se busque um posicionamento oficial e, possivelmente, uma tentativa de minimizar os danos à unidade partidária com vistas às eleições de 2026. 

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O episódio evidencia uma disputa simbólica ideológica dentro da direita — entre quem defende a manutenção ortodoxa do legado bolsonarista e quem aposta em alianças pragmáticas para vencer no Nordeste. A rejeição de Michele à aliança com Ciro Gomes é vista por parte dos bolsonaristas como um ato de coerência com os valores conservadores da direita, enquanto seus críticos consideram a atitude um gesto de fragmentação partidária em momento decisivo de articulação eleitoral.

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