Brasil supera zonas de guerra e entra no Top 10 da violência global.
Relatório global divulgado em dezembro de 2025 coloca o país na 7ª posição de periculosidade, superando nações em conflitos civis como o Paquistão e o Sudão
– O Brasil encerrou o ano de 2025 com um dado alarmante para sua imagem internacional e segurança interna. Segundo o mais recente Índice de Conflitos da organização não governamental Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), divulgado em 11 de dezembro de 2025, o país é agora o 7º mais perigoso do mundo.
O levantamento, que monitora a violência política e conflitos armados globalmente, situa o Brasil em um patamar de “conflito extremo”, superando nações que enfrentam guerras civis ou insurgências terroristas de longa data, como o Haiti (8º), o Sudão (9º) e o Paquistão (10º).
O Cenário Sob o Governo Lula
A classificação ocorre em um momento em que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenta equilibrar a redução de homicídios nacionais com a crescente letalidade em operações policiais e a fragmentação de grupos criminosos. Embora o Ministério da Justiça tenha reportado uma queda de 6,33% nos homicídios dolosos em 2024, a ACLED utiliza critérios mais amplos que a criminalidade comum para medir o “conflito”.
O índice da ONG baseia-se em quatro pilares:
- Letalidade: Número total de mortes reportadas.
- Risco a Civis: Violência direcionada especificamente à população comum.
- Difusão Geográfica: O quanto a violência está espalhada pelo território.
- Fragmentação de Grupos: O número de milícias e facções ativas no país.
O Estopim da Classificação em 2025
Especialistas apontam que a posição do Brasil foi agravada por eventos de alta intensidade no último trimestre de 2025. Em outubro, uma operação policial contra o crime organizado no Rio de Janeiro resultou em 122 mortes, sendo descrita por observadores internacionais como um dos episódios mais violentos da década no país.
A ACLED destaca que o Brasil permanece entre os países onde a população civil está mais exposta a ataques diretos, ocupando a 3ª posição mundial neste indicador específico. O relatório cita que a disputa de territórios por “narcomilícias” e facções como o PCC e o CV criam um ambiente de guerra não declarada que sobrecarrega as políticas de segurança do governo federal.
Repercussão
O resultado do índice gerou fortes críticas da oposição no Congresso, que aponta falhas no Plano Nacional de Segurança Pública. Por outro lado, o governo Lula defende que as estatísticas de homicídios gerais estão em trajetória de queda e que o relatório da ACLED foca em dinâmicas de conflito armado que não refletem a realidade de todo o território nacional.
