Crise no Exterior: Falta de Verba e Demanda Recorde Fazem Itamaraty Frear Emissão de Passaportes

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O Ministério das Relações Exteriores ativou um plano de contingência drástico em sua rede de postos diplomáticos, determinando a redução imediata na concessão de novos passaportes para cidadãos brasileiros residentes fora do Brasil. Um ofício circular enviado a embaixadas e consulados impôs um teto restritivo aos agendamentos considerados de caráter “não urgente”. O objetivo é desacelerar o consumo e evitar o colapso total do estoque de cadernetas consulares até que o governo federal consiga aprovar créditos orçamentários suplementares.

O estopim da crise foi o descasamento severo entre a previsão orçamentária do ministério e um crescimento exponencial de pedidos. Apenas nos primeiros seis meses de 2026, a rede consular expediu 188.928 passaportes — uma alta expressiva de 26% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. O ápice histórico ocorreu em julho deste ano, registrando o recorde absoluto de mais de 33 mil solicitações em um único mês, impulsionado pelo reflexo das reduções de 50% nas taxas consulares implementadas em junho.

Impressão Centralizada e Prazos Estendidos

Para otimizar os insumos e conter os gastos de gestão das representações no exterior, o governo federal extinguiu a personalização local em alguns postos. Em comunicado urgente emitido por repartições de alta demanda, como o Consulado-Geral em Miami, foi informado que, desde 30 de julho de 2026, os passaportes são confeccionados em solo nacional pela Casa da Moeda do Brasil.

A mudança impacta diretamente a rotina das comunidades de imigrantes. O documento de viagem não é mais entregue no ato da entrevista. O cidadão precisa aguardar o trâmite de envio internacional para receber o livrete por via postal ou agendar uma retirada posterior na repartição. Na prática, isso deve dilatar severamente os prazos finais de entrega aos requerentes.

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Prioridade Máxima para Casos de Emergência

Apesar do pé no freio administrativo, o Itamaraty garantiu que o atendimento essencial aos cidadãos não será interrompido. Casos humanitários fundamentados, perda de documentos de quem possui viagem imediata comprovada ou necessidades jurídicas de força maior continuam sendo triados e processados sob regime de urgência prioritária.

Ainda assim, lideranças associativas de brasileiros nos Estados Unidos e na Europa manifestaram preocupação com o “efeito gargalo”. Muitos imigrantes dependem da renovação tempestiva do passaporte para manter a regularização de vistos de trabalho, matrículas acadêmicas e abertura de contas bancárias nos países de acolhida. O Ministério das Relações Exteriores declarou que segue em tratativas céleres com a área econômica do governo para recompor as verbas constitucionais necessárias e normalizar os serviços o mais rápido possível.

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