“Criptonita”: Campanha de Lula se afasta de Alexandre de Moraes após queda em pesquisas

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A coordenação da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma operação de bastidores para promover um afastamento gradual e estratégico do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorre após o avanço do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), que apareceu numericamente à frente de Lula na última pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14 de setembro de 2026).

Nos corredores do Palácio do Planalto, Moraes — antes visto como um aliado institucional crucial durante as investigações sobre os atos do 8 de janeiro — passou a ser classificado abertamente por assessores presidenciais como uma verdadeira “criptonita” política. A avaliação interna é de que a proximidade com o magistrado tornou-se altamente tóxica para a imagem do governo na corrida presidencial de 2026.

O estopim: Escândalo do Banco Master e Daniel Vorcaro

O desgaste que forçou a guinada pragmática do PT decorre do vazamento de mensagens do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Relatórios da Polícia Federal revelaram diálogos que expõem um nível controverso de intimidade entre Vorcaro e Moraes, além de um contrato milionário firmado entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro.

Embora o ex-banqueiro também possua conexões com o clã Bolsonaro — o próprio Flávio foi investigado por solicitar aportes a Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai —, a crise respingou fortemente no governo. Como Lula e o PT foram os principais beneficiários políticos da postura firme de Moraes contra o bolsonarismo nos últimos anos, a opinião pública acabou vinculando a credibilidade do ministro diretamente à atual gestão. Para os estrategistas da campanha petista, o julgamento no plenário do STF agendado para esta terça-feira (15) servirá como a janela perfeita para o governo selar o desembarque e deixar o ministro isolado em sua própria defesa jurídica.

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Oposição nacionaliza o discurso: “Votar em Lula é votar em Moraes”

A oposição liderada pelo Partido Liberal (PL) agiu rápido para capitalizar o colapso na reputação da Suprema Corte. Em discursos inflamados e peças de propaganda eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro tem associado de forma sistemática a figura de Lula à de Alexandre de Moraes. Durante manifestações recentes, o parlamentar chegou a bradar que “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, insuflando o sentimento anti-incumbente e atraindo o eleitorado insatisfeito com os rumos do Judiciário.

Com as margens se estreitando na reta final da disputa eleitoral, a ordem na equipe de comunicação de Lula é blindar o presidente de novos respingos institucionais. O plano prevê silêncio absoluto sobre os desdobramentos envolvendo o Banco Master e a defesa pública de que as investigações sigam os ritos legais da Corte, cortando de vez o cordão umbilical que unia o Executivo ao gabinete do ministro.

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