Manobra de André Mendonça busca isolar Moraes e forçar investigação no STF

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O Supremo Tribunal Federal (STF) vive momentos de extrema tensão às vésperas da sessão plenária desta terça-feira, 15 de setembro de 2026. O julgamento decisivo vai avaliar se a Corte autoriza a abertura de uma investigação oficial contra o ministro Alexandre de Moraes com base em relatórios da Polícia Federal. Diante do risco de um recuo estratégico por parte de aliados de Moraes, o ministro André Mendonça lidera uma articulação de bastidores classificada como um “xeque-mate” jurídico.

De acordo com informações de bastidores obtidas pela Coluna do Estadão, Mendonça planeja antecipar o seu voto em plenário. O objetivo é direto: neutralizar eventuais pedidos de vista — direito que permite a um ministro suspender a análise de um caso por até 90 dias —, que poderiam fazer o julgamento acabar em “pizza” ou sofrer uma paralisia processual prolongada.

A manobra de Mendonça não é isolada. Ele costura uma frente com o atual presidente e relator do caso, ministro Edson Fachin, e com o ministro Luiz Fux, para que também registrem suas posições logo no início da sessão. Caso os três consigam cravar seus votos favoráveis à investigação, o grupo espera consolidar uma tendência de maioria, gerando um constrangimento político e jurídico sobre qualquer colega que tente travar o andamento com um pedido de vista.

O celular de Daniel Vorcaro no centro da crise

A raiz do julgamento inédito está nas mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, apreendido durante a Operação Compliance Zero da Polícia Federal. A PF identificou dezenas de interações que sugerem uma suposta proximidade e trocas de favores privados entre o empresário e Alexandre de Moraes.

Nos últimos dias, os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin pressionaram o STF e a Polícia Federal para obter o acesso à totalidade dos dados brutos do celular de Vorcaro, argumentando que a análise integral do aparelho é indispensável antes de proferir qualquer julgamento. Mendonça reagiu firmemente no domingo (13), afirmando que liberar dados sensíveis que ainda estão sob apuração serve apenas para “tumultuar” o processo principal e desviar o foco da denúncia. Em resposta, nesta segunda-feira (14), Mendonça retirou o sigilo de trechos específicos do processo focados em pagamentos e relatórios financeiros ligados a Vorcaro.

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Nos bastidores do Supremo, o placar preliminar desenha um cenário de empate técnico. Espera-se que votem a favor do inquérito os ministros André Mendonça, Luiz Fux e o próprio relator Edson Fachin. Na ala de defesa de Moraes, são esperados os votos de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Com o provável impedimento do ministro Dias Toffoli devido a conflitos de interesse envolvendo aquisições comerciais de seu entorno com o Banco Master, o quórum efetivo deve cair para nove magistrados. Com isso, serão necessários cinco votos para abrir o inquérito. A decisão final está nas mãos de Kassio Nunes Marques e, principalmente, da ministra Cármen Lúcia, vista no tribunal como a potencial dona do voto de minerva neste julgamento histórico.

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