O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) converteu-se em um cenário de confronto direto nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, durante a análise da Petição 16.662. O julgamento, focado na validade do relatório da Polícia Federal (PF) sobre supostas mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi marcado por um violento bate-boca entre Moraes e o relator do caso, o ministro André Mendonça. A sessão expôs a mais severa crise de relacionamento interno da história recente da Corte.
“Isso é mentira!”: O estopim do confronto no plenário
O clima inflamou quando Alexandre de Moraes passou a discursar em sua própria defesa. Ele acusou Mendonça de ter “medo da Polícia Federal”, de atuar sob a influência de um “grupo político que quer dar um golpe nesse país” e de exercer pressão indevida para incluir o seu nome em uma colaboração premiada.
Mendonça interrompeu o colega imediatamente e de forma repetida. Ele elevou a voz no plenário para desmentir o magistrado categoricamente: “Isso é mentira!”. Na sequência, Mendonça rebateu as acusações sustentando que suas decisões foram fundamentadas no precedente legal do juiz das garantias e que cumpriu estritamente os ritos institucionais.
Disputa por provas e a quebra de sigilo
A Petição 16.662 baseia-se em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os relatórios apontam a existência de 52 mensagens trocadas com Moraes, além de menções a contratos advocatícios e movimentações financeiras.
A tensão nos bastidores havia escalado nos dias anteriores, quando Mendonça retirou o sigilo dos relatórios da PF. Moraes reagiu acusando o relator de realizar um vazamento “seletivo” e omitir partes dos autos. Em contrapartida, Mendonça defendeu-se afirmando que preservou sob sigilo exclusivamente os dados pessoais de terceiros e elementos necessários para não comprometer outras linhas de investigação em andamento.
Divisão do tribunal e o racha entre ministros
O embate não ficou restrito aos dois magistrados. O ministro Gilmar Mendes saiu em defesa da Procuradoria-Geral da República (PGR) — que se posicionou contra a abertura da investigação — e acusou as ações de Mendonça de representarem uma “desfaçatez”. Mendonça exigiu respeito em plenário, enquanto a ministra Cármen Lúcia expressou publicamente seu constrangimento com o nível das discussões.
A divisão forçou o presidente do STF, Edson Fachin, a cindir os procedimentos judiciais. O julgamento sobre a conduta de Alexandre de Moraes foi mantido para esta terça-feira, enquanto a análise das acorações e representações contra as condutas de André Mendonça foi adiada para o dia 23 de setembro. O mérito da ação acabou travado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, deixando a decisão final suspensa por até 90 dias.