O Congresso Nacional vive um intenso impasse político nesta semana em torno do pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar irregularidades no Banco Master, uma instituição financeira que enfrenta suspeitas de fraudes bilionárias no mercado creditício e financeiro. O pedido, protocolado em 3 de fevereiro de 2026 pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), foi formalizado com 278 assinaturas entre deputados e senadores, superando amplamente o mínimo regimental necessário para sua instalação.
Parlamentares de oposição agora acusam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de deliberadamente retardar a leitura do requerimento em Plenário, o que impede a instalação oficial da CPMI, apesar da ampla base de apoio entre os legisladores. O impasse ocorre em meio a uma intensa disputa institucional e política, enquanto o caso Banco Master segue sob investigação por autoridades federais.
A CPMI foi motivada por indícios de irregularidades no banco que, segundo a oposição, envolvem operações suspeitas com recursos de fundos de previdência de servidores públicos, contratos e ativos supostamente fictícios e aquisições contábeis fraudulentas que teriam gerado prejuízos bilionários a investidores e ao sistema financeiro.
Embora a oposição tenha conseguido as assinaturas necessárias — com 42 senadores e 236 deputados apoiando a iniciativa — a leitura do requerimento ainda não foi agendada, o que tem provocado duras críticas de líderes políticos e mobilização de parlamentares que cobram uma votação imediata no Congresso.
A resistência de Alcolumbre, segundo aliados da oposição, estaria sendo influenciada por pressões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que, em meio ao caso, teriam manifestado preocupação com a abertura da CPMI por temerem que a investigação expusesse conexões de magistrados com figuras ligadas ao banco. Fontes parlamentares citam que ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli teriam feito contatos com líderes do Senado nos últimos dias.
O caso ganhou ainda mais complexidade depois que o ministro Dias Toffoli prorrogou por mais 60 dias a investigação sobre as suspeitas de irregularidades no Banco Master, que tramita no STF e envolve o inquérito principal sob sigilo.
Paralelamente, autoridades federais, incluindo a Polícia Federal, têm intensificado as apurações sobre operações do banco e movimentações financeiras suspeitas, e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado já instalou uma subcomissão específica para acompanhar os desdobramentos do caso, com poderes para convocar depoimentos e requisitar documentos.
A demora em avançar com a CPMI tem gerado críticas não apenas de opositores do governo, que defendem que a investigação deve esclarecer práticas que colocaram em risco milhões de brasileiros, mas também de setores técnicos do Parlamento, que consideram essencial o papel do Congresso no esclarecimento de temas que envolvem instituições financeiras e o sistema regulatório nacional.
O impasse no Senado expõe, no início de 2026, a tensão entre os poderes Legislativo e Judiciário em um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos no Brasil, enquanto a sociedade acompanha atentamente os desdobramentos e cobra transparência na apuração dos fatos.
