Alerta Vermelho no Sudoeste dos EUA: Lake Powell Desce ao Pior Nível de Sua História

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O Lake Powell, o segundo maior reservatório de água dos Estados Unidos localizado na fronteira entre os estados de Utah e Arizona, atingiu oficialmente o nível mais baixo já registrado desde que foi preenchido na década de 1960.

De acordo com dados automatizados do U.S. Bureau of Reclamation divulgados em 15 de agosto de 2026, a superfície do lago despencou para 3.519,91 pés (aproximadamente 1.072,8 metros) acima do nível do mar. A marca quebra o recorde negativo anterior estabelecido em abril de 2023 (3.519,92 pés), colocando o sistema do Rio Colorado em uma situação descrita por especialistas como “território completamente desconhecido”.

O colapso não é isolado. O Lake Mead, o maior reservatório do país situado logo abaixo no curso do rio, também enfrenta mínimos históricos simultâneos. Juntos, os dois lagos formam a espinha dorsal de abastecimento que garante água potável, irrigação agrícola e energia elétrica para mais de 40 milhões de pessoas no sudoeste americano e no norte do México.

O Fantasma do “Dead Pool” e o Impacto na Energia

Atualmente, o Lake Powell opera com apenas 22,5% de sua capacidade total de armazenamento. O esvaziamento acelerado acionou alertas máximos sobre a viabilidade da Usina Hidrelétrica da Barragem de Glen Canyon.

Cientistas alertam que se o nível da água cair mais 30 pés, atingindo a marca crítica de 3.490 pés, o reservatório entrará na zona de minimum power pool. Nesse ponto, as turbinas deixam de funcionar por falta de pressão hídrica, cortando a eletricidade de milhões de lares. O cenário mais extremo, conhecido como dead pool (quando a água fica tão baixa que perde a capacidade física de fluir rio abaixo através da barragem), causaria cortes drásticos imediatos no fornecimento de água para as grandes cidades e fazendas da Califórnia e do Arizona.

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O que causou o esvaziamento histórico?

  • Megasseca e Mudanças Climáticas: A bacia do Rio Colorado enfrenta seu período mais seco em 1.200 anos. O aumento global das temperaturas faz com que o principal motor do rio — o derretimento de neve das Montanhas Rochosas — evapore antes mesmo de atingir os canais de fluxo. O inverno de 2025-2026 foi excepcionalmente quente e seco.
  • Superalocação Crônica: Os direitos de uso da água do rio foram divididos no século XX baseando-se em projeções de anos historicamente muito úmidos. Hoje, consome-se muito mais do que o rio consegue naturalmente repor.

Sem Acordo: Governo Federal Deve Impor Cortes Severos

A gravidade da situação em agosto de 2026 ocorre após três anos de intensas negociações entre os sete estados americanos que compartilham a bacia (Arizona, Califórnia, Colorado, Nevada, Novo México, Utah e Wyoming) terminarem em impasse. Sem um consenso voluntário de redução, as autoridades federais norte-americanas preparam a publicação de um plano imprevisto de intervenção técnica para as próximas semanas.

O plano deve forçar cortes históricos nas cotas de consumo até 2028. Especialistas em segurança hídrica da Arizona State University ressaltam que, embora grandes centros urbanos como Phoenix e Tucson tenham acumulado reservas subterrâneas para amortecer o choque inicial, o setor agrícola — responsável pelo cultivo de grande parte dos vegetais consumidos no inverno dos EUA — sofrerá as consequências mais severas e imediatas.

A expectativa de meteorologistas reside em uma possível influência do fenômeno climático El Niño no final do ano para trazer chuvas intensas ao sudoeste. Contudo, gestores ambientais reforçam que uma única temporada úmida não será capaz de salvar os reservatórios de uma crise estrutural profunda.

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