Lula decide adiar concessão de ‘agrément’ o embaixador indicado por Trump até depois das eleições de outubro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que adiará a concessão do agrément diplomático a Daniel Perez, indicado de Donald Trump para assumir a embaixada dos EUA em Brasília, para depois das eleições brasileiras de outubro de 2026. Lula justificou a medida afirmando que deseja ter uma conversa direta e franca com Trump para alertar a Casa Branca contra qualquer tentativa de interferência nos assuntos internos e no processo eleitoral do Brasil. A decisão congela as relações bilaterais e agrava a pior crise diplomática recente entre os dois países.

Quebra de Protocolo e Retaliação com Vistos

O impasse começou em junho, quando a Casa Branca anunciou publicamente o nome de Daniel Perez — atual presidente da Câmara da Flórida e aliado do Secretário de Estado, Marco Rubio — antes de consultar formalmente o governo brasileiro. O Palácio do Planalto e o Itamaraty consideraram a atitude uma grave quebra de praxe diplomática e uma tentativa de impor pressões políticas antes do pleito de outubro. Apesar do gelo de Brasília, o Senado dos EUA confirmou Perez no dia 7 de agosto de 2026, aprofundando o choque de posições.

A disputa escalou rapidamente em uma dinâmica de retaliações bilaterais que envolveu o trâmite de vistos oficiais:

  • Vistos negados pelos EUA: Em resposta ao que chamou de “corpo mole” do Brasil, o Departamento de Estado americano revogou o visto de permanência da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, exigindo a aprovação imediata de Perez para reverter a punição.
  • Vistos negados pelo Brasil: Semanas antes, o Brasil barrou a entrada de funcionários do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos EUA. Lula acusou abertamente os oficiais americanos de virem ao país com o intuito de sondar e interferir nas urnas e nos sistemas eleitorais nacionais.
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Tarifas Comerciais e Soberania Nacional

As tensões envolvendo as embaixadas refletem um distanciamento macroeconômico e ideológico mais amplo. O governo brasileiro critica as ameaças de tarifas comerciais unilaterais ventiladas pela administração Trump, além de enxergar com desconfiança a pressa de Washington em emplacar um embaixador de perfil conservador às vésperas de uma votação presidencial decisiva no Brasil.

O assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, endossou a postura de firmeza em depoimento no Congresso. Ele criticou os métodos da atual gestão norte-americana, classificando outras medidas unilaterais — como a inclusão recente de facções criminosas brasileiras na lista de organizações terroristas globais do Departamento de Estado dos EUA — como tentativas de expandir leis estrangeiras sobre a soberania nacional. Pelo entendimento do Itamaraty balizado pela Convenção de Viena, o Brasil não descumpre regras internacionais, uma vez que Estados soberanos têm total autonomia e tempo indeterminado para avaliar e aceitar representantes diplomáticos estrangeiros.

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