BRASÍLIA, Brasil — Uma reviravolta burocrática movimentou os bastidores da corrida presidencial. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou que a filiação fraudulenta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao partido Missão — legenda ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL) — foi efetuada com dados sarcásticos na ficha cadastral, como o endereço “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”. O episódio travou temporariamente o registro da candidatura do parlamentar pelo Partido Liberal (PL).
Em nota oficial emitida nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, a Corte Eleitoral descartou categoricamente a ocorrência de um ataque hacker no sistema Filia. Segundo o tribunal, a transferência partidária foi resultado do “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda” para validar novos membros. Diante da gravidade, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para rastrear os responsáveis. Pouco depois, Nunes Marques emitiu uma decisão que restabeleceu o vínculo de Flávio com o PL e excluiu a filiação ao Missão.
O caso expôs o tensionamento e a troca de acusações entre diferentes alas da direita brasileira. O vereador Fernando Holiday (PL-SP) subiu o tom e teceu duras críticas ao Missão, classificando a manobra como uma grave e escancarada violação eleitoral flagrada de imediato. Por sua vez, a liderança do Missão nega qualquer autoria e alega ter sido vítima de uma armação externa. O dirigente da legenda, Renan Santos, sustentou que o sistema da sigla enviou e-mails de alerta ao gabinete de Flávio informando o início do processo e argumenta que alguém com acesso ao e-mail institucional do senador confirmou os links de cadastro. O Missão declarou ainda que enviará todos os relatórios de logs e IPs às autoridades policiais e reforçou não ter interesse em abrigar o parlamentar em seus quadros.
Especialistas em Direito Eleitoral apontam que, por ser de conhecimento público o vínculo real do senador com o PL, o contratempo técnico não deve cassar o direito de Flávio disputar o pleito presidencial.
