O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes defendeu enfaticamente, nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, a operação policial que atingiu os supostos informantes do jornalista maranhense Luís Pablo. O repórter havia denunciado o uso irregular de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino no Maranhão.
Em pronunciamento feito durante a sessão plenária da Corte, Moraes rebateu o coro de críticas de associações de imprensa. Ele rechaçou os argumentos de violação autoritária de prerrogativas profissionais e cunhou uma forte distinção no tribunal: “Não confundamos jornalistas investigativos com jornalistas investigados pelas práticas criminosas”.
A manifestação ocorreu logo após o presidente do STF, Edson Fachin, expressar solidariedade pública a Flávio Dino e, simultaneamente, reafirmar a primazia constitucional do sigilo da fonte. No entanto, ao assumir o microfone, Alexandre de Moraes subiu o tom, argumentando que a segurança institucional de Dino foi “colocada em risco real por uma organização criminosa” que monitorava clandestinamente os passos do ministro e de seus filhos menores de idade.
O magistrado sustentou que a representação apresentada pela Polícia Federal e o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) trazem “prova cabal de materialidade” e indícios robustos de que informações sensíveis foram obtidas de forma criminosa por servidores públicos de sistemas restritos e comercializadas com o blogueiro. “Nenhuma garantia constitucional, inclusive o sigilo da fonte, pode ser instrumento de impunidade criminal”, sentenciou.
Críticos e analistas jurídicos apontam que a postura de Moraes indica um pré-julgamento dos suspeitos sem o devido processo legal completo, sinalizando que a Primeira Turma do STF — colegiado responsável por julgar o caso e composto por Moraes, Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin — deve referendar suas decisões monocráticas de forma integral. Esse posicionamento reforça o debate sobre o peso da influência de Moraes nos órgãos colegiados e a eficácia de recursos da defesa perante a Turma.
Por outro lado, o jornalista Luís Pablo alega que suas reportagens se pautaram unicamente no interesse público, negando qualquer monitoramento ilícito ou recebimento de vantagens financeiras escusas para veicular as informações.
