O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou o planejamento de operações terrestres contra organizações do narcotráfico na América Latina durante uma conferência internacional na Cidade do Panamá. O pronunciamento, realizado em 12 de agosto de 2026, marca uma expansão da ofensiva militar de Washington, que até então priorizava bombardeios marítimos contra embarcações suspeitas em águas internacionais. Segundo o chefe do Pentágono, as Forças Armadas norte-americanas atuarão em coordenação com aliados regionais para tratar os cartéis de drogas como alvos terroristas equivalentes ao Estado Islâmico (ISIS) ou à Al-Qaeda.
A Aliança da ‘Coalizão das Américas Contra os Cárteles’
A nova fase tática será coordenada por meio da recém-fortalecida Coalizão das Américas Contra os Cárteles (A3C), um bloco de segurança que reúne atualmente 19 nações com lideranças alinhadas a Washington, incluindo governos da Argentina, Chile, Equador e Peru. Durante o evento em território panamenho, a Colômbia oficializou a sua adesão à coalizão após a posse de seu novo governo conservador.
O plano prevê ações conjuntas de inteligência e incursões diretas nos territórios parceiros. “Qualquer lugar onde trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, vocês se tornarão um alvo militar legítimo”, alertou Hegseth durante visita ao centro de treinamento de operações na selva no Panamá. O lema oficial adotado pelo Pentágono para balizar as futuras incursões territoriais resume a agressividade da nova postura: “Nós fazemos coisas ruins com pessoas ruins”.
Da Ofensiva Marítima para as Incursões em Solo
A escalada promovida pelo governo de Donald Trump baseia-se nos resultados da campanha iniciada em setembro de 2025, batizada por autoridades de segurança de Operation Southern Spear (Operação Lança do Sul). Aquela fase inicial concentrou-se no emprego de bombardeios aéreos e interceptações navais no Caribe e no Oceano Pacífico, gerando os seguintes impactos logísticos e humanitários:
- Redução do tráfico: O Pentágono estima uma redução recorde no fluxo de entorpecentes, apontando quedas de 65% no Caribe Ocidental, 60% no Caribe Oriental e quase 50% no Pacífico Oriental.
- Vítimas fatais: Relatórios de organizações internacionais de direitos humanos, como o Washington Office on Latin America (WOLA), documentam que as incursões marítimas resultaram em pelo menos 221 mortes desde o ano passado.
A transição para os alvos em terra visa desmantelar laboratórios, centros de comando e redes internas de distribuição antes do escoamento marítimo.
Divergências Geopolíticas e Tensões Legais
A nova diretriz norte-americana ressuscita e adapta preceitos históricos da Doutrina Monroe — apelidada informalmente por assessores da Casa Branca de “Doutrina Donroe” —, que busca consolidar a hegemonia militar de Washington no hemisfério ocidental. No entanto, a estratégia enfrenta forte resistência regional e oposição civil. Países sob governos de espectro político de esquerda, como o México, permanecem estritamente fora da aliança militar.
Paralelamente, crescem as pressões em tribunais internacionais. Observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiram comunicados alertando que os ataques aéreos executados pelos EUA a barcos civis podem configurar execuções extrajudiciais e crimes de guerra, devido à alta probabilidade de vítimas inocentes, incluindo pescadores e alvos de tráfico humano. Em resposta direta no Panamá, Hegseth atacou a jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI) e encorajou abertamente as nações latino-americanas signatárias a se retirarem do Estatuto de Roma para evitar interferências estrangeiras em suas políticas de segurança interna.
