A região andina voltou a sofrer com a instabilidade tectônica nesta segunda-feira (10). Um violento terremoto de magnitude 7,4 atingiu o departamento de Chocó, na costa do Pacífico colombiano, espalhando pânico, destruição e mortes em diversas cidades do país. De acordo com os balanços preliminares divulgados pelas autoridades locais, o número de vítimas fatais já passa de 111, além de dezenas de feridos e pessoas presas sob os escombros.
O sismo aconteceu poucos dias após a posse do novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, transformando-se no primeiro grande desafio de gerenciamento de crise de sua administração. O mandatário decretou estado de emergência nacional para agilizar os esforços de busca e salvamento.
O reflexo do tremor em Manaus
Apesar de o epicentro ter sido registrado a uma profundidade de 107 quilômetros na selva colombiana, a energia liberada foi tão massiva que cruzou as fronteiras amazônicas. No Brasil, moradores de Manaus relataram forte oscilação por volta das 8h45 (horário local).
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) confirmou que realizou vistorias preventivas em edifícios de bairros tradicionais da capital amazonense, como Centro, Aleixo, Parque Dez e Santa Etelvina. Estruturas comerciais de grande porte e condomínios residenciais foram completamente esvaziados após luminárias e móveis balançarem. Até o momento, os engenheiros não detectaram rachaduras estruturais graves ou falhas de construção nos imóveis vistoriados na cidade brasileira, e não há registro de feridos no Amazonas.
Caos urbano e destruição na Colômbia
Imagens gravadas por testemunhas e compartilhadas em redes sociais mostram cenários caóticos em centros urbanos colombianos como Cali, Pereira e Manizales. Os registros em vídeo flagram nuvens de poeira cobrindo ruas inteiras, pessoas correndo desesperadas de edifícios residenciais em chamas ou balançando, e severas falhas estruturais expostas no exato momento do abalo. Partes da cobertura do teto do aeroporto de Pereira desabaram sobre passageiros, e a icônica torre da Catedral Metropolitana de Manizales sofreu desprendimento de escombros.
As operações aéreas foram suspensas por segurança em pelo menos seis aeroportos da Colômbia, incluindo os terminais de Quibdó, Buenaventura e Armênia.
Comparação com a tragédia recente na Venezuela
O terremoto de magnitude 7,4 evoca o fantasma da instabilidade sísmica que castigou o norte da América do Sul recentemente. Especialistas em sismologia comparam diretamente o poder deste evento com os terremotos gêmeos sofridos pela Venezuela em junho de 2026. Naquela ocasião, dois tremores consecutivos de magnitude 7,2 e 7.5 devastaram as regiões de Caracas e La Guaira, destruindo centenas de prédios e causando mais de 5.000 mortes.
Embora o terremoto na Colômbia tenha tido uma magnitude equivalente à tragédia venezuelana, a profundidade do epicentro atual ajudou a amortecer parte do impacto destrutivo na superfície em cidades distantes como Bogotá, onde o prefeito Carlos Fernando Galán relatou apenas fissuras superficiais e nenhuma morte confirmada. Contudo, a proximidade das falhas tectônicas no Círculo de Fogo do Pacífico mantém os serviços de emergência em alerta máximo para o risco de fortes réplicas nas próximas horas.
