A corrida presidencial de 2026 ganhou mais um capítulo de intensa disputa jurídica e acusações de “armações” políticas bilaterais. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) as declarações de uma testemunha que afirma ter presenciado a montagem de uma falsa acusação de estupro contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), recentemente anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
O depoimento, tomado originalmente pela Polícia Legislativa, cita diretamente o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) como participante de reuniões virtuais em que a trama teria sido articulada. Devido ao foro por prerrogativa de função do parlamentar petista, o caso foi remetido ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, relator do inquérito na Suprema Corte.
Identidade falsa e pagamentos em espécie
O relato foi prestado por um comerciante que detalhou o recrutamento de uma jovem de 22 anos no Rio de Janeiro. Segundo o depoente, a mulher foi orientada a adotar a identidade falsa de “Jailma” para se apresentar publicamente como vítima de abuso sexual cometido por Gaspar no passado. Para dar sustentação à história, o grupo teria inclusive criado a narrativa de uma suposta filha fictícia fruto do crime.
Ainda de acordo com a testemunha, foram efetuados três depósitos bancários em sua conta corrente — nos valores de R$ 4.000, R$ 10.000 e R$ 2.500 — que totalizaram R$ 16.500. O dinheiro teria sido sacado em espécie e entregue diretamente à suposta falsa vítima. Comprovantes bancários de parte das transações foram anexados aos autos entregues ao STF.
Origem do caso e repercussão na CPMI
A crise remonta a março de 2026, quando Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) protagonizaram fortes bate-bocas com Alfredo Gaspar durante as sessões da CPMI. Na ocasião, os parlamentares governistas formalizaram uma notícia-crime na Polícia Federal baseada em supostos documentos anônimos recebidos.
Desde o surgimento das suspeitas, Alfredo Gaspar negou veementemente qualquer irregularidade e acusou os adversários de chantagem política. O candidato a vice-presidente realizou exames voluntários de DNA junto à Polícia Científica para comprovar que não possui vínculos com a suposta vítima e acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a investigação de Lindbergh e Soraya por denunciação caluniosa.
O que dizem os envolvidos
Em nota e declarações públicas, o deputado Lindbergh Farias rechaçou as acusações contidas no depoimento enviado ao tribunal. O parlamentar afirmou desconhecer o comerciante depoente e a jovem citada, classificando o enredo como uma “picaretagem inventada” para blindar Gaspar. Lindbergh defendeu que sua única atuação no caso foi o encaminhamento institucional de documentos que chegaram ao seu gabinete às autoridades policiais competentes.
Por sua vez, a defesa de Alfredo Gaspar descartou qualquer possibilidade de acordo ou conciliação judicial com o bloco governista. O parlamentar do PL informou que manterá as representações éticas e criminais até a conclusão das perícias genéticas determinadas pelo ministro Gilmar Mendes, que deu prazo para que os acusadores apresentem as provas originais das mensagens citadas.
