O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma crise institucional inédita. O ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório explosivo da Polícia Federal e determinou que novos elementos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sejam julgados diretamente pelo Plenário da Corte. A decisão gerou forte confronto nos bastidores do tribunal. O caso foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.
A reviravolta ocorre após a perícia da PF extrair dados do celular de Vorcaro — preso na Operação Compliance Zero por fraudes bilionárias no sistema financeiro. Os dados revelaram uma intensa rede de interlocução e proximidade com o ministro.
Escândalo do Caso Master no STF
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│ • Relator: André Mendonça retira sigilo e envia ao │
│ Plenário presencial e aberto do STF │
│ • Alvo: Mensagens de Daniel Vorcaro no WhatsApp e │
│ metadados vinculados a Alexandre de Moraes │
│ • Encontros: PF lista ao menos seis reuniões │
│ presenciais entre o ministro e o banqueiro │
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O que dizem as mensagens e o pedido de “proteção”
Conforme os documentos revelados pela reportagem do G1, a Polícia Federal recuperou mensagens do WhatsApp enviadas por Vorcaro a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Sabendo que era investigado pelo desvio de carteiras de crédito com o Banco de Brasília (BRB), o banqueiro tentou usar a influência do magistrado para frear as apurações.
Em uma das notas, Vorcaro manifestou que seria crucial “reforçar com Andrei e Paulo” para que ninguém “de baixo” fizesse uma “sacanagem” contra ele. Investigadores confirmaram que os nomes citados referem-se ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet em relatórios do Poder360. Pouco antes de ser detido no aeroporto tentando embarcar para Dubai, o banqueiro mandou uma mensagem explícita a Moraes: “Conseguiu bloquear?”.
Contrato milionário e a “digital” de Moraes
O caso ganhou contornos ainda mais graves com a descoberta de contratos advocatícios milionários entre empresas de Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. No total, os compromissos firmados com o Banco Master e com a holding Viking Participações somam cerca de R$ 208 milhões.
O ponto central da suspeita da PF repousa nos metadados de arquivos compartilhados por Vorcaro com seus defensores. Segundo laudo técnico, a última versão do contrato principal do Banco Master foi editada dentro do sistema Office 365 através de um usuário intitulado oficialmente como “Ministro Alexandre de Moraes” conforme revelou a Jovem Pan. Além disso, um dos contratos paralelos de R$ 50 milhões previa que o pagamento do banqueiro à esposa de Moraes fosse quitado por meio da transferência de cotas de aeronaves executivas (um jatinho Legacy 650 e um helicóptero Airbus).
Repercussão política e julgamento aberto
Vídeos de parlamentares e influenciadores políticos — como o ex-vereador Fernando Holiday — ganharam as redes detalhando os overlays de notícias que expõem os seis encontros presenciais mantidos entre Moraes e Vorcaro em locais como Campos do Jordão (SP). A pressão da oposição no Congresso por um impeachment ou pelo afastamento imediato do ministro subiu de tom.
Em sua decisão para derrubar o segredo de Justiça, André Mendonça argumentou que o interesse público exige transparência total. “O caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar os novos elementos trazidos pela autoridade policial”, asseverou o relator no despacho divulgado pelo portal Migalhas.
O Outro Lado: O escritório Barci de Moraes informou em nota oficial que o ministro Alexandre de Moraes foi consultado apenas em caráter de compliance conjugal para assegurar que não havia impedimentos legais ou causas envolvendo o Banco Master sob sua relatoria no STF, defendendo a total regularidade das prestações de serviço. O ministro nega ter intercedido em favor do banqueiro ou utilizado aeronaves de propriedade de Daniel Vorcaro.