Guerra da carne nos EUA: Produtores exigem PRIME Act e rotulagem obrigatória contra enxurrada de importações

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O setor pecuário dos Estados Unidos vive um dos momentos de maior tensão de sua história recente. A decisão do presidente Donald Trump de formalizar a isenção temporária de tarifas para a importação de até 300 mil toneladas métricas de carne bovina magra gerou uma forte onda de protestos entre os produtores locais. Sob o argumento de reduzir o preço do alimento na gôndola para os consumidores — que hoje beira os US$ 7 por libra-peso na carne moída —, a medida acabou unindo republicanos e associações de pecuaristas em uma contraofensiva legislativa no Congresso.

A principal arma dos fazendeiros americanos para conter o impacto do produto estrangeiro é a pressão pela aprovação de duas medidas centrais na nova Lei Agrícola (Farm Bill): o PRIME Act e o retorno da Rotulagem Obrigatória do País de Origem (MCOOL).

O rebanho no menor nível em 75 anos

Os pecuaristas norte-americanos argumentam que a abertura do mercado para carne barata, vinda de locais como a Argentina, pune quem produz domesticamente. O rebanho bovino dos EUA entrou em 2026 no seu menor nível em 75 anos (cerca de 86,2 milhões de cabeças), reflexo de anos de secas severas e altos custos de insumos.

No momento em que os produtores ensaiavam uma retenção de matrizes para reconstruir o rebanho nacional, a entrada de carne importada com desconto projetado de até 25% joga um balde de água fria nos investimentos. De acordo com a American Farm Bureau Federation (AFBF), a medida “cria caos no mercado e desincentiva o produtor local”, ameaçando a segurança alimentar do país a longo prazo.

Crise do Rebanho Bovino nos EUA (2026)
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│  • Tamanho do Rebanho: Menor nível desde os anos 1950  │
│  • Preço da Carne Moída: Próximo a US$ 7 por libra     │
│  • Medida do Governo: 300.000 t importadas sem tarifa  │
└────────────────────────────────────────────────────────┘

O que é o PRIME Act e por que ele virou o foco?

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Liderado pelo deputado Thomas Massie (R-KY), o PRIME Act (Processing Revival and Intrastate Meat Exemption Act) propõe descentralizar o abate de animais. Atualmente, o mercado de processamento nos EUA é altamente concentrado: quatro grandes empresas controlam mais de 80% do abate de gado.

  • A Mudança Proposta: Permitir que estados autorizem a venda de carne de abatedouros customizados locais diretamente para consumidores, restaurantes e mercados, sem a necessidade de uma inspeção federal rigorosa do USDA (focando em inspeções estaduais).
  • O Objetivo: Ignorar o monopólio dos grandes frigoríficos, baratear o custo de distribuição interna e dar vazão direta à produção dos pequenos e médios fazendeiros.

Embora o governo Trump tenha emitido acenos de que pretende desregulamentar o setor de processamento para acalmar os produtores, Massie e líderes do setor insistem que a medida precisa virar lei federal através da Farm Bill, e não depender de ordens executivas temporárias.

A batalha pela rotulagem: De onde vem sua carne?

A segunda frente de batalha é o retorno do MCOOL (Mandatory Country of Origin Labeling). Desde 2015, a rotulagem obrigatória do país de origem para carne bovina foi revogada nos EUA após pressões na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em janeiro de 2026, entrou em vigor uma nova regra do USDA determinando que o selo voluntário “Product of USA” só pode ser usado se o animal tiver nascido, crescido, sido abatido e processado em solo americano. Contudo, por se tratar de um selo voluntário, as grandes embaladoras preferem não discriminar a origem. Associações como a R-CALF USA exigem que o Congresso restabeleça a obrigatoriedade. Eles defendem que o consumidor americano prefere apoiar o produtor local e tem o direito de saber se está consumindo carne produzida sob os padrões sanitários dos EUA ou importada de outros continentes.

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Com a Farm Bill travada no comitê do Senado, o embate sobre o controle das gôndolas e a sobrevivência financeira dos fazendeiros americanos promete estender o debate comercial e político pelas próximas semanas.

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