O jornalista australiano Peter Clack afirmou, em postagem nas redes sociais, que a cidade de Belém (PA), sede da COP30, voltou à rotina após o evento como “um retrato de promessas não cumpridas”. Segundo ele, na semana seguinte ao fim da conferência, “os jatos privados já se foram, o esgoto cru ainda corre pelas ruas e a nova ‘Avenida Liberdade’ já virou rota para madeira ilegal e cocaína”. 
Clack criticou a obra da avenida — construída sobre o que antes era floresta — e chamou atenção para o impacto ambiental: “13 km de cicatriz” pela mata e aumento — segundo ele — de alertas de desmatamento após o evento. A alegada destruição, segundo o jornalista, contrasta com o discurso global de preservação ambiental que pautou a COP30. 
Além disso, o australiano questionou o legado social deixado pelo evento: “onde está o dinheiro para as famílias de Vila da Barca que caminham entre esgoto?” — referindo-se a comunidades vulneráveis da capital paraense que, na avaliação dele, foram ignoradas mesmo após promessas de ampliação de saneamento e infraestrutura. 
Clack argumenta que, embora a conferência tenha mobilizado delegações e gerado expectativa internacional, o cotidiano de Belém continua marcado por problemas estruturais graves — saneamento deficiente, desmatamento, obras questionáveis — e que a COP30 transformou-se mais em espetáculo de marketing do que em impulso real para o desenvolvimento ou conservação da Amazônia. 
A denúncia do jornalista, publicada originalmente em inglês nas redes sociais e repercutida pela mídia nacional, reacende o debate sobre o real impacto das conferências climáticas em suas cidades-sede: se, de um lado, há compromissos internacionais e discursos de preservação, de outro, muitas vezes a população local continua sofrendo com a negligência estrutural.
