O crime organizado em São Paulo sofreu um duro golpe financeiro nas primeiras horas desta quinta-feira (21). Durante o cumprimento dos mandados da Operação Vérnix, o bloqueio de R$ 327 milhões foi determinado pela Justiça para asfixiar as movimentações econômicas da facção criminosa PCC. O desdobramento mais impactante da ação foi a prisão preventiva da advogada e empresária Deolane Bezerra, que havia acabado de retornar de uma viagem à Itália.
Em pronunciamento oficial realizado na cidade de Bauru, o governador Tarcísio de Freitas detalhou os fortes indícios reunidos pela equipe de inteligência. De acordo com o chefe do Executivo paulista, uma caixa cheia de dinheiro em espécie foi localizada com o remetente explícito para a influenciadora digital. O objeto estava sob a posse de Everton de Souza, conhecido no submundo do crime como “Player”, apontado como o principal gestor de bens da cúpula do grupo.
Milhões em espécie, joias e carros de luxo confiscados
A ofensiva policial não se limitou apenas às prisões, mas focou também na apreensão de patrimônios de alto padrão utilizados para dissimular os lucros do tráfico de drogas. Durante as buscas nos endereços dos investigados, quase R$ 9 milhões em notas vivas foram apreendidos pelos agentes de segurança pública. Além do montante em dinheiro, uma coleção impressionante de joias raras e 17 veículos importados de luxo foram retirados de circulação.
Conforme apontam os relatórios do Ministério Público, empresas de fachada, incluindo uma grande transportadora de cargas, eram operadas pela facção para injetar dinheiro ilícito nas contas de Deolane. Posteriormente, o fracionamento de depósitos bancários em valores menores de R$ 10 mil era executado rotineiramente pelos criminosos. Essa técnica financeira, conhecida internacionalmente no ambiente jurídico como smurfing, servia para burlar os mecanismos automáticos de controle do Banco Central.
Defesa se manifesta e cúpula de Venceslau entra na mira
Além da famosa influenciadora, a operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) também expediu ordens contra o núcleo familiar de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. O irmão do líder do PCC, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos dele foram listados como alvos centrais de prisão. Uma das sobrinhas do chefe do bando foi capturada pela polícia na Espanha com o auxílio da Interpol.
Por meio de nota enviada à imprensa, o advogado de defesa de Marcola declarou que o processo se encontra em fase inicial de inquérito e que a presunção de inocência deve ser respeitada até o julgamento final. Já os representantes legais de Deolane Bezerra ainda não foram localizados para comentar o suposto recebimento da caixa de dinheiro citada pelo governador. O espaço nos canais de comunicação oficiais permanece inteiramente aberto para as manifestações da influenciadora.
