Drone com agrotóxico em Bacabal (MA) destrói lavouras e expõe moradores à contaminação química
Trabalhadores rurais do povoado Iguapó, na zona rural de Bacabal, denunciam que perderam toda a produção agrícola após um drone pulverizar agrotóxicos sobre as plantações. Milho, mandioca e outras culturas de subsistência teriam sido atingidas diretamente pela aplicação aérea irregular.
Segundo relatos de moradores, um idoso chegou a ser atingido pela substância química e, sem dimensionar o risco imediato, tomou banho logo após a exposição, relatando ardência na pele e fortes dores de cabeça. Vídeos gravados pela comunidade mostram o murchamento quase imediato das folhas e entrevistas com agricultores descrevendo sintomas de intoxicação.
O caso ocorreu no povoado Iguapó, também conhecido como Pau D’Arco, e reforça a preocupação crescente com o uso de drones na pulverização agrícola em áreas de conflito fundiário no Maranhão.
Padrão de contaminação no Maranhão
O episódio se soma a uma sequência de denúncias registradas no estado. Reportagem da Repórter Brasil aponta que, apenas em 2025, drones teriam sido responsáveis por 94% dos casos de contaminação por agrotóxicos no Maranhão. Até meados do ano, mais de 89 comunidades haviam sido atingidas.
Em janeiro, levantamento indicava que ao menos 141 comunidades maranhenses sofreram algum tipo de contaminação química relacionada à pulverização aérea. Organizações sociais denunciam que a prática tem sido usada como instrumento de pressão para expulsar pequenos agricultores de áreas cobiçadas pelo agronegócio.
Suspeitas de disputa por terras
Nas redes sociais, internautas relacionaram o ataque a disputas fundiárias envolvendo migrantes do Sul do país, especialmente de estados como Paraná e Mato Grosso, onde o agronegócio tem forte presença. As suspeitas ecoam investigações anteriores que documentaram o uso de pulverização aérea como mecanismo de intimidação contra comunidades tradicionais e indígenas desde 2019.
Moradores de Iguapó afirmam que dependem exclusivamente da agricultura familiar para subsistência e temem novos episódios. Eles cobram investigação rigorosa das autoridades estaduais e federais, além de assistência médica para os afetados.
Impactos sociais e ambientais
Especialistas alertam que a pulverização aérea com drones, quando realizada sem controle técnico e sem respeito às áreas de proteção, pode provocar danos ambientais severos, contaminar recursos hídricos e gerar riscos à saúde pública.
Enquanto aguardam providências, as famílias de Iguapó enfrentam prejuízos econômicos e insegurança alimentar, diante da perda total das lavouras.
