Silas Malafaia, uma das principais vozes do conservadorismo evangélico no Brasil, elogiou publicamente a “Caminhada Acorda Brasil”, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A manifestação consiste em uma caminhada de aproximadamente 144 quilômetros, com chegada prevista a Brasília em 22 de janeiro de 2026, e tem como objetivo denunciar o que os organizadores classificam como perseguição política contra os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Em vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, Malafaia afirmou que os réus do 8 de janeiro são “presos políticos” e direcionou duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator dos principais processos ligados aos atos. Segundo o pastor, o Judiciário estaria extrapolando suas funções e promovendo punições seletivas com viés ideológico.
Durante a gravação, Malafaia também acusou Moraes de conflito de interesses, citando um contrato de cerca de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e um escritório ligado à esposa do ministro, enquanto a instituição financeira é alvo de investigações. Para o líder religioso, o caso deveria motivar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e o impeachment de Alexandre de Moraes, além do presidente do STF, Dias Toffoli.
A declaração incendiou o debate político nas redes sociais, sobretudo entre o eleitorado evangélico e conservador. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a usar a caminhada como símbolo de resistência contra o Supremo e de mobilização antecipada para as eleições de 2026.
Por outro lado, críticos acusam Malafaia de tentar capitalizar politicamente o movimento e apontam contradições em sua postura, lembrando sua aproximação ocasional com nomes do centro-direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o que tem gerado tensões internas no campo conservador.
A “Caminhada Acorda Brasil” se consolida, assim, como mais um capítulo da crescente polarização política no país, evidenciando o embate entre setores do Judiciário e lideranças políticas e religiosas que questionam as decisões do STF e buscam transformar o tema em bandeira eleitoral.
