Um brasileiro identificado como Helbert Costa-Generoso, 41 anos, que vivia ilegalmente em Danbury (Connecticut), foi condenado nos Estados Unidos por participar de um esquema fraudulento para obtenção de carteiras de motorista para imigrantes sem documento. 
Segundo comunicado do Departamento de Justiça dos EUA, Helbert foi sentenciado em 2 de outubro de 2025 pelo juiz federal Margaret R. Guzman a 9 meses de prisão, e estará sujeito à deportação ao término da pena. 
Helbert se declarou culpado em junho de 2025 de dois crimes: conspiração para produzir documentos de identificação falsos com a intenção de transferi-los, e fornecimento de passaporte falso para uso de terceiros. 
De acordo com a denúncia formulada em dezembro de 2024, ele agiu junto com quatro conspiradores em um esquema que operou entre novembro de 2020 e setembro de 2024, voltado para residentes indocumentados em vários estados, especialmente Nova York e Massachusetts. 
No caso de Nova York, os conspiradores usaram uma artimanha para burlar o sistema do NY DMV, que exige que os candidatos façam um teste de permissão por escrito e completem um curso de direção. Durante o exame online, o NY DMV exige que o candidato se fotografe via webcam para verificação de identidade. Helbert e seus comparsas coletavam várias fotos dos clientes fingindo fazer o teste, depois realizavam ele remotamente e enviavam aquelas fotos já fornecidas para satisfazer a exigência de imagem. 
Além disso, o grupo elaborou certificados falsos de conclusão de curso de escolas de direção (“driving schools”) de Nova York, incluindo assinatura forjada de funcionários dessas escolas. 
Para comprovar residência no estado de Nova York — requisito para emissão da carteira — os conspiradores reuniam dezenas de clientes em Massachusetts, os levavam de carro até agências do DMV em NY e forneciam documentos falsos que indicavam endereço no estado, o que permitia que o DMV emitisse permissões (permits). 
Depois que as permissões eram emitidas, os documentos eram enviados para endereços controlados pelo grupo em Nova York. Em seguida, os clientes eram levados por eles para fazer o teste de direção (“road test”) no NY DMV. Se aprovados, as carteiras eram novamente remetidas para esses endereços controlados, e então entregues pessoalmente. 
Com a mudança nas leis de Massachusetts — que, a partir de julho de 2023, passou a permitir que indocumentados solicitem carteira de motorista — o esquema se expandiu para esse estado. O grupo então começou a obter carteiras de motorista de Massachusetts para clientes fora do estado, da mesma maneira que operava em Nova York. 
Em troca desses documentos fraudulentos, os acusados cobravam em torno de 1.400 dólares por cliente, tanto para a carteira como para passaportes falsos usados como identificação nos pedidos. 
Segundo os promotores, foram apresentados pedidos para mais de 1.000 clientes, e ao menos 600 carteiras foram emitidas irregularmente. O grupo embolsou centenas de milhares de dólares com a operação. 
Também já houve condenação de outro membro da quadrilha: Cesar Agusto Martin Reis, 28 anos, que havia feito acordo de culpa. Ele foi condenado a tempo já cumprido (290 dias) e só restam outros seis meses restantes para deportação, segundo a procuradoria. 
As autoridades federais destacaram que a investigação contou com a participação da NY DMV Division of Field Investigation, da Polícia de Danbury e Waterbury (Connecticut), do Escritório do Procurador dos EUA em Massachusetts e da Divisão de Inspeção Postal dos EUA, entre outros. 
Esse caso evidencia como redes criminosas se aproveitam de brechas regulatórias e da concessão de carteiras de motorista para imigrantes indocumentados para promover fraudes em larga escala, colocando em risco a integridade dos sistemas de identificação estaduais e federais.
